Diário de Bordo: Rimini–Zurique – O trem que une o Mar Adriático aos Alpes Suíços

Existem conexões ferroviárias que servem apenas para deslocar passageiros. E existem outras que contam uma história.

Até dia 5 de outubro de 2026, a Riviera Romagnola e a Suíça estarão ligadas por um novo serviço direto Eurocity, sem trocas e sem interrupções. Uma viagem que começa às margens do Mar Adriático e termina no coração da Suíça, atravessando algumas das cidades mais importantes da Emilia-Romagna, a planície lombarda, o Lago de Como e, finalmente, os Alpes.

O serviço opera todos os dias durante a temporada de verão.

O protagonista é o Eurocity EC 152, que parte de Rimini às 9h52 e chega a Zurique às 17h27, após cerca de sete horas e meia de viagem.

No sentido inverso, o EC 153 deixa Zurique às 10h33 e chega a Rimini às 18h23.

Do mar à Via Emilia

O dia começa em Rimini com a brisa do Adriático chegando até a estação. Os primeiros quilômetros percorrem a Riviera e o interior da Romagna, uma das regiões mais acolhedoras da Itália.

A primeira parada é Cesena, cidade elegante que abriga a histórica Biblioteca Malatestiana, patrimônio mundial da UNESCO.

Em seguida vem Forlì, onde arte, arquitetura e tradição convivem harmoniosamente.

Pouco depois surge Faenza, famosa internacionalmente por sua tradição cerâmica, tão importante que deu origem à palavra francesa faïence, utilizada para designar esse tipo de arte.

Bolonha, o coração da Emilia-Romagna

Quando o trem chega a Bolonha Centrale, a viagem alcança um dos grandes centros ferroviários da Europa.

A cidade das Duas Torres, dos intermináveis pórticos e da gastronomia que tornou célebres os tortellini e o ragù é um dos símbolos da Itália.

Dali, o percurso segue pela histórica Via Emilia, atravessando territórios que há séculos conectam o norte e o centro do país.

A terra dos sabores italianos

As paradas seguintes revelam outra face da Itália.

Modena, berço do tradicional Aceto Balsâmico e da lendária Motor Valley.

Reggio Emilia, cidade elegante associada ao nascimento da bandeira italiana.

Parma, onde arte, música e gastronomia convivem sob a herança de Giuseppe Verdi e do mundialmente famoso Parmigiano Reggiano.

Piacenza, sofisticada porta de entrada entre a Emilia-Romagna e a Lombardia.

Pela janela, a planície se estende até o horizonte, marcada por campos cultivados, pequenas igrejas e antigas propriedades rurais.

Rumo aos lagos e às montanhas

Depois de Milão, a paisagem começa a mudar lentamente.

Os campos dão lugar às primeiras colinas e, pouco depois, aos reflexos do magnífico Lago de Como.

A parada em Como San Giovanni marca os últimos quilômetros em território italiano.

A partir dali, a viagem ganha um tom quase cinematográfico.

O trem entra na Suíça realizando paradas em Chiasso, Lugano, Bellinzona, Arth-Goldau e Zug.

Os Alpes tornam-se protagonistas absolutos.

Lagos cristalinos, montanhas verdes e pequenas cidades perfeitamente organizadas acompanham os passageiros até o destino final.

Chegada a Zurique

Às 17h27, o Eurocity entra na estação central de Zurique.

O mar ficou para trás há centenas de quilômetros, mas a sensação é a de ter atravessado vários mundos em um único dia: a leveza da Riviera Romagnola, os sabores da Emilia-Romagna, a dinâmica do norte da Itália e a elegância alpina da Suíça.

Esse é o verdadeiro encanto do novo Eurocity de verão.

Ele não conecta apenas duas cidades, ele conecta duas formas diferentes de viver a viagem: o espírito mediterrâneo do Adriático e a sofisticação tranquila dos Alpes suíços. 

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