Quem visita a Costa Amalfitana costuma guardar na memória o azul intenso do Mediterrâneo, as vilas coloridas penduradas sobre as falésias e os famosos limoeiros cultivados em terraços que parecem desafiar a gravidade. Mas por trás dessa paisagem que se tornou símbolo da Itália existe um trabalho agrícola centenário, cada vez mais ameaçado pelos custos de produção, pela falta de mão de obra e pelas dificuldades de manter cultivos em áreas montanhosas.
Foi justamente para proteger esse patrimônio que representantes de instituições locais e do setor agrícola assinaram, em Amalfi, a chamada “Carta das Paisagens Citrícolas”, um documento que reconhece oficialmente a limonicultura da Campânia como um patrimônio econômico, ambiental, cultural e turístico de interesse estratégico para a região.
Segundo informações divulgadas pelo portal La Voce del Vesuvio, a iniciativa reúne entidades agrícolas, municípios e organizações locais em torno de um objetivo comum: preservar uma atividade que ajudou a moldar a identidade de alguns dos territórios mais famosos do sul da Itália.
Os limões da Costa Amalfitana e da Península Sorrentina são muito mais do que um produto agrícola. Ao longo dos séculos, tornaram-se parte da paisagem, da gastronomia e até da imagem internacional da Campânia. Dos tradicionais licores de limoncello às sobremesas, passando pela culinária local e pelo turismo gastronômico, o fruto está presente em praticamente todos os aspectos da vida regional.
A importância, porém, vai além da economia. Os terraços agrícolas construídos nas encostas ajudam a conter a erosão, preservam a biodiversidade e contribuem para a estabilidade de áreas consideradas ambientalmente frágeis. Quando um limoeiro é abandonado, não desaparece apenas uma atividade produtiva: perde-se também uma parte da paisagem histórica que tornou a região famosa em todo o mundo.
A nova carta defende uma visão integrada do território, na qual agricultura, turismo, meio ambiente e cultura não podem ser tratados de forma separada. A proposta também busca incentivar a inovação tecnológica e logística sem abrir mão das práticas tradicionais que caracterizam a produção local.
O documento chama atenção para desafios que ameaçam o futuro do setor. O aumento dos custos, a fragmentação das propriedades rurais, a dificuldade de encontrar trabalhadores especializados e a complexidade das operações em áreas de difícil acesso colocam em risco a continuidade de muitos cultivos históricos.
Ao mesmo tempo, os signatários enxergam oportunidades. A valorização dos limões da Campânia pode impulsionar novas formas de turismo de experiência, fortalecer a gastronomia local, estimular o artesanato e gerar renda para comunidades que convivem diariamente com um dos cenários mais emblemáticos do Mediterrâneo.
Em uma região onde a paisagem e a agricultura caminham lado a lado há séculos, a Carta das Paisagens Citrícolas surge como uma tentativa de garantir que os terraços cobertos de limoeiros continuem fazendo parte do horizonte da Costa Amalfitana pelas próximas gerações.
Costa Amalfitana lança acordo para salvar tradição dos limoeiros

