Com tarifas em queda, Itália mira a ampliar presença no Brasil após acordo UE-Mercosul


A entrada em vigor do novo acordo entre a União Europeia e o Mercosul abre uma nova frente de oportunidades para as empresas italianas no mercado brasileiro. A partir de 1º de maio de 2026, as tarifas e os impostos de importação serão reduzidos progressivamente até a eliminação completa para mais de 90% dos produtos fabricados na União Europeia.

A avaliação foi feita por Alessandro Garbellini, responsável pelo Escritório Econômico-Comercial da Embaixada da Itália em Brasília, durante a transmissão especial da agência Adnkronos na conferência “Objetivo Exportação. Empresas e territórios do centro da Itália”, promovida em Roma pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional.

Segundo Garbellini, os efeitos do acordo podem alcançar uma ampla variedade de setores da economia italiana. Entre eles estão máquinas e equipamentos industriais, produtos farmacêuticos e médicos, energias renováveis e tecnologias voltadas para a transição energética. O setor agroalimentar também aparece entre as áreas com potencial de expansão, tanto para máquinas quanto para produtos tradicionais italianos.

Um dos pontos destacados é a proteção de produtos ligados ao território. “O acordo finalmente introduz também a proteção para 57 indicações geográficas”, afirmou Garbellini. A medida deve ampliar a proteção de produtos italianos no mercado brasileiro e reforçar a presença das regiões italianas no comércio com o país.

A Itália quer se antecipar

Roma também procurou preparar suas empresas para a nova fase comercial. Em 9 de setembro, uma missão liderada pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, esteve no Brasil acompanhada por uma delegação que incluiu o presidente da Confindustria e cerca de cem representantes de empresas e associações empresariais.

Durante a visita, Itália e Brasil também acertaram a criação de uma mesa bilateral com o Ministério do Comércio brasileiro. O objetivo será acompanhar a implementação do acordo, discutir eventuais dificuldades enfrentadas pelas empresas e identificar novas possibilidades de negócios.

Para o representante da Embaixada italiana, a estratégia é justamente acompanhar de perto a entrada em uma nova etapa das relações comerciais entre os dois países. “Foi um momento em que a Itália se colocou efetivamente como pioneira”, afirmou.

O acordo UE-Mercosul, nesse cenário, passa a ser visto pelas empresas italianas não apenas como uma redução de barreiras comerciais, mas como uma oportunidade para ampliar a presença de setores tradicionais e de novas tecnologias no mercado brasileiro.
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