Cidadania italiana: prefeita é investigada por suposto esquema com brasileiros

A prefeita de Collio, pequeno município da província de Brescia, no norte da Itália, Mirella Zanini está sendo investigada por suspeita de participação em um esquema que teria permitido a dezenas de brasileiros obter a cidadania italiana com residências fictícias. Segundo a investigação da Procuradoria de Brescia, o sistema funcionaria pelo menos desde 2015 e envolveria outras nove pessoas, incluindo funcionários dos serviços de registro civil de Collio e de outro município da região.

A suspeita dos investigadores é relativamente simples de entender: brasileiros que pretendiam obter a cidadania italiana precisariam comprovar uma residência real na Itália. Segundo a acusação, porém, alguns teriam sido registrados como moradores de Collio mesmo sem viver efetivamente no município. Com a residência formalmente registrada, poderiam então iniciar o processo para o reconhecimento da cidadania.

A investigação é coordenada pelos promotores Donato Greco e Viktoria Boga. No caso de Zanini, as acusações, nesta fase, incluem corrupção por ato contrário aos deveres do cargo, falsificação material e ideológica de documentos públicos e violação das normas sobre entrada e permanência de estrangeiros na Itália.

De acordo com a reconstrução publicada pelo Corriere della Sera, o mecanismo teria sido organizado por intermediários que cobravam dos interessados valores entre € 3 mil e € 10 mil. Eles providenciariam a documentação necessária, incluindo uma suposta ascendência italiana e uma residência na Itália. A investigação também aponta que a prefeita teria recebido pagamentos para atestar residências.

A apuração envolve ainda funcionários do setor de registro de Collio e a responsável pelo mesmo serviço em Orzivecchi, onde os investigadores suspeitam que um procedimento semelhante tenha sido utilizado.

Zanini confirmou ter recebido o aviso de investigação e afirmou que não reconhece as acusações. Em declaração divulgada pela imprensa italiana, disse confiar na Justiça e estar convencida de que poderá demonstrar a correção de sua atuação. Ela também deixou o cargo de assessora da Comunità Montana della Valle Trompia, embora continue à frente da prefeitura de Collio.

O caso chama atenção no Brasil porque ocorre poucos dias depois de outra investigação, na Sicília, envolvendo um suposto esquema de falsas cidadanias para brasileiros. Os dois casos têm um ponto em comum: a suspeita de utilização de residências fictícias ou documentos falsos para criar as condições necessárias ao reconhecimento da cidadania italiana.

É importante, porém, distinguir investigação de condenação. Zanini e os demais envolvidos são investigados, e as acusações ainda terão de ser comprovadas judicialmente. O registro no cadastro de investigados não significa que tenham sido considerados culpados.
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