No fim de maio, boa parte do interior da Itália muda de ritmo. Estradas rurais se enchem de visitantes, vinhedos abrem os portões e pequenas cidades passam a receber turistas interessados em muito mais do que vinho. É o clima da Cantine Aperte, um dos eventos de enoturismo mais tradicionais do país, amplamente repercutido pelo jornal Il Resto del Carlino.
A edição de 2026 acontece nos dias 30 e 31 de maio e confirma o crescimento do turismo ligado ao vinho na Itália. Nas Marche, serão 86 vinícolas participantes, número recorde para a região. Já em Abruzzo, 53 produtores abrirão suas portas ao público, a maior participação já registrada por lá.
Criado pelo Movimento Turismo del Vino, o evento nasceu nos anos 1990 com uma ideia simples: aproximar consumidores do universo da produção vinícola italiana. Em vez de encontrar apenas a garrafa pronta no restaurante ou supermercado, o visitante conhece os vinhedos, os produtores, as caves e as paisagens onde os vinhos nascem.
Hoje, “Cantine Aperte” virou praticamente um ritual do início do verão italiano. Muitas vinícolas organizam degustações, almoços rurais, passeios entre as videiras, shows, concertos e experiências gastronômicas típicas das regiões produtoras.
Para o público brasileiro, acostumado a associar vinho italiano apenas a rótulos famosos, o evento revela outra dimensão da Itália: pequenas propriedades familiares, colinas históricas, castelos rurais e uma cultura agrícola que atravessa gerações.
Nas Marche, região banhada pelo Adriático e ainda pouco conhecida pelo turismo internacional, o destaque será para vinhos tradicionais como o Verdicchio e o Rosso Conero. A edição deste ano também marca o lançamento oficial da nova DOCG Conero Rosato, categoria que representa o nível máximo de certificação de qualidade dos vinhos italianos.
Já Abruzzo aposta cada vez mais no chamado turismo experiencial. Entre montanhas, vilarejos medievais e vinhedos próximos ao mar, a região vem crescendo como destino alternativo para quem busca uma Itália menos massificada e mais ligada à tradição local.
O formato do evento também ajuda a atrair novos públicos. Os visitantes compram uma taça oficial e podem circular livremente entre diferentes vinícolas participantes, transformando o fim de semana em uma verdadeira rota cultural e gastronômica.
Mais do que uma feira de degustação, “Cantine Aperte” se tornou um retrato do novo turismo italiano: mais lento, ligado ao território, à autenticidade e às pequenas experiências locais que dificilmente aparecem nos roteiros tradicionais de viagem.
Cantine Aperte transformam vinhedos italianos em festa do enoturismo

