sex. fev 13th, 2026

BIT Milano 2026: revela um turismo que escolheu a medida

Quando o burburinho nos pavilhões de Rho começa a diminuir e as últimas reuniões chegam ao fim, a sensação é clara: esta não foi uma feira de efeitos especiais. Foi uma feira de trabalho. O último dia da BIT Milano 2026 confirmou o que já se percebia nas jornadas anteriores. Os corredores estão menos cheios do que na abertura, mas as mesas de reunião continuam ocupadas. As agendas não esvaziaram, concentraram-se. É o momento de fechar ciclos, transformar intenções em acordos, converter contatos em decisões.

Menos ruído, mais substância

A participação geral manteve-se estável, mas o dado mais relevante não é quantitativo é qualitativo. Observou-se forte presença de profissionais com poder de decisão: menos visitantes ocasionais, mais diretores comerciais; menos circulação aleatória, mais reuniões estruturadas. Os destinos europeus mantiveram protagonismo consistente, reafirmando-se como eixo central da feira. Seus estandes não buscaram impacto cenográfico, mas consolidação estratégica. Falou-se de circuitos integrados, cooperação transfronteiriça e produtos desenhados para mercados específicos. Já os mercados de longa distância adotaram uma visibilidade mais discreta. A participação concentrou-se em agendas pré-agendadas e programas de compradores, em vez de grandes montagens expositivas. Um sinal claro de seletividade: estar presente, mas com objetivos definidos.

A mudança de linguagem

Caminhando pelos estandes e acompanhando os painéis, percebe-se uma transformação no discurso do setor. Sustentabilidade deixou de ser apenas posicionamento institucional para tornar-se parâmetro operacional. Fala-se de margens, gestão de fluxos, otimização de distribuição. A tecnologia também assume outro tom. Menos narrativa de inovação disruptiva, mais aplicação prática: integração de dados, análises preditivas, automação de processos. Não é mais promessa de futuro mas é ferramenta do presente.

As ausências que dizem muito

Nem todas as regiões do mundo optaram por marcar presença com a mesma intensidade. Alguns mercados extraeuropeus, embora mencionados no panorama internacional, não aparecem de forma evidente no catálogo oficial de expositores. E isso não é detalhe. Em um contexto de racionalização de investimentos, a ausência também é uma estratégia. A BIT 2026 revela, assim, um turismo que não sente mais necessidade de ocupar todos os espaços. Seleciona. Avalia. Decide onde investir visibilidade e onde priorizar relações direcionadas.

Uma feira que mede o setor

Com o encerramento dos pavilhões, fica a impressão de um setor que superou a fase da urgência e da expansão a qualquer custo. O turismo que emerge desta edição mostra-se mais disciplinado, mais consciente de seus limites e oportunidades. Não houve euforia. Houve lucidez. A BIT Milano 2026 encerra-se não como vitrine espetacular, mas como termômetro fiel de uma indústria que escolheu estabilidade com intenção. E talvez essa seja, hoje, a notícia mais relevante.

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