Há um momento, no vinho, em que a narrativa deixa de ser técnica e se transforma em atmosfera. É aquele ponto sutil em que um território consegue se deslocar para outro lugar sem perder a própria voz. Na segunda-feira (11), Roma acolhe exatamente essa transição: a Alta Langa Docg retorna à Capital para a terceira edição do Alta Langa Roma, nos espaços do Spazio Field do Palazzo Brancaccio.
Das 10h às 17h, 47 produtores do Consórcio levarão consigo 115 rótulos. Não apenas números, mas nuances: brancos luminosos, rosés elegantes, reservas mais profundas. Tudo Método Clássico, tudo fruto de um tempo longo, paciente, construído sobre o afinamento e a precisão.
O evento, único na Itália em 2026 inteiramente dedicado às Altas Borbulhas piemontesas, é reservado a profissionais do setor Horeca e à imprensa. Uma escolha que devolve o sentido do encontro: não uma simples degustação, mas um diálogo entre quem produz o vinho e quem o interpreta, seleciona e serve.
Ao longo do dia, algumas masterclasses conduzirão a degustação para uma compreensão mais profunda. A guiá-las estará Marco Reitano, sommelier do restaurante La Pergola do Rome Cavalieri A Waldorf Astoria Hotel, figura capaz de traduzir a linguagem do Método Clássico em experiência sensorial, sem jamais perder o rigor.
O presidente do Consórcio, Giovanni Minetti, fala de uma participação cada vez mais ampla, quase como uma evolução natural de um projeto que, ao longo dos anos, encontrou na Capital um interlocutor atento. Roma, com a sua restauração diversa e curiosa, torna-se assim uma lente através da qual a Alta Langa se deixa observar e, ao mesmo tempo, reconhecer.
Nos dias que antecedem o evento, a denominação se espalha pela cidade com discrição, entrando em dez estabelecimentos emblemáticos da cena gastronômica romana: Osteria Della Vittoria, Pierluigi, Antico Arco, Il Convivio Troiani, Avenida Caló, Mamma Orso, Al Ceppo 1968, La Quercia, San Baylon e Bylon Cocktail Bar. Um relato em imagens que une cozinha e sala, gesto e matéria, e que revela a versatilidade dessas borbulhas no contexto contemporâneo.
Para fechar simbolicamente o percurso, como todos os anos, há o coquetel oficial. Em 2026, chama-se “Torino Royal”, assinado por Christian Comparone. Um equilíbrio construído com Vermouth di Torino Igp rosso, Rosolio, Frangelico, suco de limão e Alta Langa Docg extra brut. O resultado é um gole estratificado, onde o cítrico encontra notas florais e especiadas, enquanto a verticalidade do espumante acompanha sem se impor, dando ritmo à experiência.
Por trás de tudo isso há uma denominação que parece jovem apenas na aparência. O Consorzio Alta Langa, fundado em 2001, reúne hoje 100 produtores e 90 viticultores, mas tem suas raízes na segunda metade do século XIX, quando no Piemonte surgia o primeiro Método Clássico da Itália. Uma história que continua a evoluir, mantendo, porém, uma produção deliberadamente limitada.
Pinot nero e Chardonnay definem a identidade do vinho, com afinamentos que partem de pelo menos 30 meses sobre as leveduras e chegam a 60 para as reservas. Cada garrafa é safrada, ligada a uma única colheita, a um equilíbrio específico entre clima e território.
As colinas entre Alessandria, Asti e Cuneo, com seus 440 metros de altitude média, guardam esse patrimônio feito de tempo, trabalho manual e biodiversidade. Uma paisagem que observa os Alpes, mas já respira o mar, onde a viticultura se entrelaça com uma memória profunda.
Hoje, o mercado permanece majoritariamente italiano, com 85% da produção absorvida internamente e 15% destinado à exportação. Mas eventos como o Alta Langa Roma sugerem algo mais sutil: um crescimento que não se mede apenas em números, mas na capacidade de se inserir com naturalidade nos contextos mais exigentes.
E talvez seja justamente aqui que se revela o verdadeiro sentido dessa presença em Roma. Não tanto no desejo de surpreender, mas na vontade de ser compreendido. Porque há borbulhas que não pedem espaço: elas simplesmente o encontram, no exato momento em que são servidas.
Oo números do Consórcio e da Alta Langa DOCG:
Mais de 100 vinícolas produtoras associadas ao Consórcio
500 hectares de vinhedos entre as províncias de Alessandria, Asti e Cuneo
O “vinhedo Alta Langa” é, de forma indicativa, cultivado em 2/3 com Pinot Nero e 1/3 com Chardonnay
3.500.000 garrafas potenciais produzidas com a safra de 2025 (no mercado apenas a partir do outono de 2028)
Mercado interno: 85%
Exportação: 15%

