Dormir sob as estrelas, acordar perto do mar ou no meio das montanhas, viajar com mais liberdade e menos formalidade. O turismo ao ar livre deixou de ser uma alternativa de nicho e se consolidou como um dos motores mais dinâmicos do setor turístico europeu. Na Itália, esse movimento ganha ainda mais força.
Segundo o jornal Il Sole 24 Ore, o país deve registrar em 2026 cerca de 68,4 milhões de presenças em campings e vilarejos turísticos, confirmando a relevância do segmento mesmo em um cenário global incerto. O crescimento é moderado, de 0,4% em relação ao ano anterior, mas revela um dado mais importante: a consolidação de um modelo de viagem que combina natureza, conforto e experiência.
O impulso vem, sobretudo, do público internacional. A Itália continua sendo um dos destinos mais desejados por turistas estrangeiros, com quase 38 milhões de pernoites esperados nesse segmento, um número que supera com folga os níveis pré-pandemia. Já o turismo doméstico segue mais estável, ainda ligeiramente abaixo dos volumes registrados antes da Covid.
Geograficamente, o nordeste italiano mantém a liderança, concentrando quase metade das presenças. Regiões com forte vocação turística, entre mar, lagos e áreas naturais, continuam a atrair viajantes em busca de paisagens icônicas e infraestrutura cada vez mais qualificada. O centro, o sul e as ilhas também participam desse movimento, embora com volumes menores.
O impacto econômico acompanha esse crescimento. A estimativa é que o turismo outdoor gere mais de 5 bilhões de euros em gastos diretos em 2026, podendo ultrapassar os 13 bilhões quando considerados efeitos indiretos e toda a cadeia ligada ao setor. Trata-se de um segmento que combina acessibilidade com alto potencial de geração de valor.
O contexto global, no entanto, influencia diretamente as escolhas dos viajantes. Tensões geopolíticas, inflação e custos de energia mais elevados tornam os turistas mais cautelosos. Nesse cenário, destinos considerados seguros e bem estruturados, como a Itália, acabam sendo favorecidos. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas começam a alterar a sazonalidade das viagens, com maior procura por períodos menos quentes ao longo do ano.
Outro fenômeno relevante é a transformação da própria experiência de hospedagem. Os campings europeus passam por um processo de “hotelização”, oferecendo serviços, conforto e qualidade comparáveis a hotéis tradicionais, especialmente nas categorias intermediárias e superiores. O resultado é um produto mais sofisticado, capaz de atrair públicos diversos.
No panorama europeu, o turismo ao ar livre segue em expansão. Em 2025, foram mais de 413 milhões de pernoites nesse segmento, com França, Itália e Espanha liderando o ranking. A Itália, com mais de 54 milhões, se consolida como um dos principais destinos do continente.
Mais do que números, o crescimento do turismo outdoor revela uma mudança de comportamento. Viajar já não é apenas visitar lugares, mas viver experiências. E, nesse cenário, a natureza volta a ocupar o centro do mapa.

