A transição energética global não avança no mesmo ritmo em todos os países. Enquanto algumas economias enfrentam desaceleração, outras seguem expandindo rapidamente sua capacidade limpa. O contraste entre Itália e Brasil ajuda a entender essa diferença de velocidade.
Na Itália, o cenário mudou em 2025. Segundo o jornal La Repubblica, com base em estudo do Politécnico de Milão, as novas instalações de energia renovável caíram 6%, chegando a 7,2 GW. O número interrompe um ciclo de crescimento e leva a capacidade total para cerca de 81,7 GW.
O dado sinaliza uma mudança de fase. O crescimento continua, mas perde intensidade em um momento em que a Europa enfrenta novas tensões energéticas e precisa reduzir a dependência de fontes fósseis. O contexto internacional, marcado por instabilidade geopolítica e pressão sobre os preços do gás, pesa sobre as decisões de investimento.
O setor solar segue como principal motor, impulsionado por grandes usinas. Já a energia eólica, essencial para equilibrar a produção ao longo do ano, avança mais lentamente e de forma concentrada no sul do país. O risco é claro: a Itália precisa atingir cerca de 131 GW até 2030, mas o ritmo atual não é suficiente.
Enquanto isso, o Brasil segue uma trajetória oposta. Dados oficiais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que o país já superou a marca de 200 GW de capacidade instalada total, com forte crescimento das fontes renováveis nos últimos anos. A matriz elétrica brasileira é uma das mais limpas do mundo, com cerca de 90% da geração proveniente de fontes renováveis, lideradas por hidrelétricas, mas com expansão acelerada de eólica e solar.
A energia solar, em especial, tornou-se protagonista. Em poucos anos, o Brasil ultrapassou 40 GW de capacidade instalada fotovoltaica, impulsionado tanto por grandes parques quanto pela geração distribuída em residências e empresas. A energia eólica também cresce de forma consistente, especialmente no Nordeste, onde fatores naturais garantem alta eficiência e competitividade.
A diferença entre os dois países não está apenas nos números, mas no contexto. O Brasil combina abundância de recursos naturais, custos competitivos e um mercado em expansão. Já a Itália enfrenta desafios regulatórios, limitações territoriais e maior complexidade burocrática, que impactam a velocidade dos projetos.
Isso não significa que a transição italiana esteja em crise, mas sim em um ponto de inflexão. O país continua avançando, com instrumentos como contratos de longo prazo e investimentos em armazenamento, mas precisa acelerar para não comprometer suas metas.
O contraste revela uma dinâmica mais ampla. A transição energética deixou de ser apenas uma questão ambiental. Tornou-se um fator de competitividade global. Países que conseguem expandir rapidamente suas fontes renováveis ganham vantagem em custos, segurança energética e atração de investimentos.
Nesse cenário, Itália e Brasil seguem caminhos diferentes, mas complementares. Um busca acelerar para não perder terreno. O outro aproveita o momento para consolidar sua posição como potência energética limpa.
Energias renováveis na Itália caem 6% em 2025 enquanto no Brasil crescem e brilham

