Alpes, cidades históricas e praias paradisíacas, a Itália entra em cena em filme da Netflix

Imagine caminhar pelo centro de Turim e encontrar ruas preparadas para parecer Paris. Ou ver a rotina de uma região dos Alpes mudar com a chegada de caminhões, equipamentos e centenas de profissionais de cinema. No norte da Itália, essas cenas deixaram de ser imaginação: são parte dos bastidores de uma produção de Hollywood.

O responsável por essa movimentação é Grown Ups 3, terceiro capítulo da comédia protagonizada por Adam Sandler, conhecida no Brasil como Gente Grande. Com distribuição prevista pela Netflix, o filme escolheu diferentes regiões italianas para suas gravações, levando a equipe dos Alpes à Sardenha e transformando paisagens reais em cenários de uma aventura internacional.

Segundo o portal oficial Italy for Movies, a operação italiana envolve aproximadamente 580 profissionais e se estende por cerca de oito semanas e meia. A produção executiva no país está a cargo das empresas Panorama Films e Pinella Productions, com apoio de estruturas locais de promoção audiovisual.

Um dos aspectos mais curiosos das gravações está em Turim, capital do Piemonte. Conhecida por suas praças monumentais, avenidas elegantes e arquitetura histórica, a cidade está emprestando sua aparência à capital francesa. As filmagens passaram por pontos como a Via Roma e a Piazza San Carlo, além de outras ruas do centro. A movimentação chamou a atenção de moradores e da imprensa local, especialmente após a presença de Adam Sandler na cidade.

A escolha não é tão surpreendente quanto parece. Turim reúne uma arquitetura urbana capaz de evocar outras cidades europeias sem que seja necessário construir um cenário inteiro do zero. Para o cinema, isso significa aproveitar a identidade visual de um lugar real e, com ajustes de produção, fazê-lo representar outro destino.

O resultado é uma curiosidade que merece ser observada: enquanto turistas fotografam Turim por sua própria beleza, espectadores de diferentes países poderão reconhecê-la como Paris sem necessariamente perceber que estão diante de uma cidade italiana.

A produção não se limita ao ambiente urbano. As gravações também passaram pelo Vale de Aosta, região montanhosa no noroeste italiano, e seguiram para a Sardenha, ilha conhecida por suas águas cristalinas e pelo litoral mediterrâneo.

Em Courmayeur, aos pés do Monte Branco, a paisagem alpina oferece um cenário completamente diferente daquele encontrado nas ruas de Turim. A região recebeu preparativos e filmagens em áreas como Val Ferret, onde a chegada da equipe exigiu organização logística e medidas específicas para permitir o trabalho no local. 

Depois, a produção se deslocou para o Piemonte, com seis dias de gravação previstos em Turim e arredores. A etapa seguinte concentra atividades na Gallura, no nordeste da Sardenha, incluindo Olbia, Cala Moresca e Portisco.

De montanhas imponentes a centros históricos e praias mediterrâneas, a variedade de locações mostra por que a Itália continua sendo um território tão atraente para produções internacionais. Em um único projeto, a equipe encontra paisagens radicalmente diferentes, infraestrutura urbana e cenários naturais que ajudam a construir a identidade visual de uma história.

Uma produção desse porte não envolve apenas atores conhecidos e equipamentos sofisticados. Por trás de cada cena existe uma operação que depende de técnicos, motoristas, profissionais de montagem, logística, alimentação, hospedagem e serviços de apoio.

De acordo com o Italy for Movies, o projeto mobiliza cerca de 580 profissionais no conjunto da operação italiana. O cadastro também registra a participação de equipes locais nas diferentes regiões, ao lado de centenas de profissionais deslocados para acompanhar as gravações.

Esse movimento ajuda a explicar a importância das produções audiovisuais para os territórios que as recebem. Além da exposição internacional proporcionada pelo filme, as gravações podem gerar demanda por serviços e criar oportunidades temporárias para trabalhadores e fornecedores locais.

O efeito não se resume ao período em que as câmeras estão ligadas. Quando uma cidade aparece em uma produção de grande alcance, ela também ganha a possibilidade de despertar a curiosidade de espectadores que talvez nunca a tivessem considerado como destino de viagem.

No caso de Gente Grande 3, Turim ganha uma vitrine peculiar ao representar Paris, enquanto as paisagens alpinas e o litoral da Sardenha oferecem outras formas de apresentar a diversidade italiana ao público internacional.

Embora as locações italianas sejam o grande destaque dos bastidores, a produção também marca o reencontro de personagens conhecidos do público. Além de Adam Sandler, retornam Chris Rock, Kevin James, David Spade e Rob Schneider. Salma Hayek Pinault, Maya Rudolph e Maria Bello também fazem parte do elenco ligado aos filmes anteriores. A direção é de Kyle Newacheck, que já trabalhou com Sandler em Mistério no Mediterrâneo.

O primeiro Gente Grande chegou aos cinemas em 2010, seguido pela sequência de 2013. Agora, mais de uma década depois, a nova produção leva o grupo a uma aventura europeia, com os filhos dos protagonistas já crescidos.

A trama abre espaço para uma mudança de cenário em relação aos capítulos anteriores, mas é a presença da Itália nos bastidores que acrescenta uma dimensão especial ao projeto. Afinal, poucas coisas despertam tanta curiosidade quanto descobrir que uma rua familiar, uma praça histórica ou uma paisagem de cartão-postal está prestes a aparecer em uma produção assistida no mundo inteiro.

Enquanto o público aguarda o lançamento, a passagem da produção pela Itália já rende uma história própria: a de um país que se transforma em cenário, movimenta profissionais e coloca suas paisagens diante de milhões de espectadores em potencial.

E fica a pergunta: quando o filme chegar às telas, quantas pessoas vão reconhecer Paris nas ruas de Turim — ou descobrir pela primeira vez a beleza dos Alpes italianos e da costa da Sardenha?

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