Com uma decisão que tem forte valor simbólico e identitário, a Itália se prepara para colocar de volta no calendário civil uma data que fala da história, da espiritualidade e dos costumes nacionais.
A festividade de São Francisco de Assis foi criada como feriado nacional por meio de uma lei aprovada em outubro de 2025. A lei fixa a celebração da festividade de São Francisco de Assis em 4 de outubro de cada ano.
A lei torna a festividade de São Francisco de Assis efetiva a partir de 2026.
As escolas e as repartições públicas ficarão fechadas.
O ritmo do dia a dia vai parar e a gente vai ter um espaço coletivo para refletir, que vai além da parte religiosa.
Esse retorno não é casual; esse retorno está ligado à memória do país.
A lei devolve o feriado que foi tirado em 1977, quando o governo apagou várias datas cívicas por motivos econômicos e para simplificar o calendário.
Para mim, essa mudança traz a chance de a gente lembrar melhor a nossa história.
A nova medida chega nas celebrações do oitavo centenário da morte do santo.
O santo vai além da fé católica e traz valores que todos reconhecem: a paz, o diálogo, o respeito pela criação e a sobriedade como escolha ética.
Não é por acaso que São Francisco é o padroeiro da Itália e o novo feriado faz o título de padroeiro da Itália aparecer de novo no cotidiano dos cidadãos.
Do ponto de vista das tradições, o retorno do 4 de outubro como feriado nacional responde a uma necessidade atual de significado e de raízes.
Em uma época cheia de crises no meio ambiente, na sociedade e na identidade, a figura do pobrezinho de Assis volta a ser vista como um símbolo cultural, antes mesmo de religioso.
Não serão só as procissões e as celebrações litúrgicas. Também vão surgir eventos culturais, projetos educativos e momentos de reflexão cívica ao redor do 4 de outubro.
Para a Itália, o restabelecimento da festividade de São Francisco representa, assim, um gesto de reconexão com seu patrimônio simbólico: um feriado que olha para o passado, mas fala com força ao presente, reafirmando o valor da memória como elemento vivo do tecido social. por GR

