Martina Ferragamo levou a história da família ao cinema no recente Festival de Cinema de Veneza

A história dos Ferragamo voltou ao lugar onde, de certa forma, começou: diante de uma câmera.

No Teatro La Fenice, em Veneza, foi apresentado “Un Passo alla Volta”, curta-metragem nascido de uma ideia de Martina Ferragamo e Simone Coppo, escrito em conjunto pelos dois e dirigido por Coppo. No elenco, ao lado de Martina, estão Margherita Buy, Francesco Colella e Francesco Centorame.

Mas não é apenas um filme celebrativo sobre a maison. Martina interpreta uma atriz chamada para rodar um filme sobre a própria família. Realidade e ficção começam assim a se sobrepor, até conduzi-la para dentro da história de seus avós. E Martina chega a interpretar justamente Wanda Miletti Ferragamo, a mulher que, após a morte prematura do marido Salvatore em 1960, conseguiu levar adiante a empresa e transformar sua herança em uma história internacional.

De Hollywood a Veneza, o cinema não é uma escolha casual. Antes de se tornar um dos grandes nomes da moda italiana, Salvatore Ferragamo construiu parte de sua reputação nos Estados Unidos, criando calçados para o mundo de Hollywood e para suas estrelas.

O curta resgata exatamente essa relação. Em uma das sequências, Martina é transportada para 1927, no set de The King of Kings de Cecil B. DeMille, onde encontra uma versão jovem do avô.

Quase um século depois, cinema e Ferragamo se encontram novamente. Desta vez, porém, é a neta quem está diante da câmera.

O peso de um sobrenome e é aí que o filme encontra seu elemento mais interessante. Un Passo alla Volta não conta apenas o sucesso de uma família italiana. Fala sobre o que significa herdar um nome importante sem ser prisioneiro dele.

Martina Ferragamo é atriz e escolheu uma trajetória profissional própria: depois de se formar em Psicologia no King’s College de Londres, estudou atuação no Lee Strasberg Theatre & Film Institute, em Nova York, e trabalhou entre cinema, televisão e teatro.

No filme, o confronto com Salvatore e Wanda torna-se também um confronto com suas próprias raízes. O que conservar daquilo que recebemos? E o que, por outro lado, precisamos transformar para torná-lo nosso?

Essa é a pergunta que atravessa o curta-metragem.

A herança se torna futuro

A escolha de contar a história de Wanda foi particularmente significativa.

Não apenas a esposa do fundador, mas a mulher que se viu diante de uma enorme responsabilidade e soube transformá-la em visão empreendedora. No filme, Martina tenta separar a lembrança pessoal da avó da figura da mulher de negócios que contribuiu para a continuidade da maison.

Moda, cinema e memória familiar acabam se encontrando em uma narrativa que vai além de Ferragamo.

Porque cada geração herda algo da anterior: um sobrenome, um ofício, um talento, expectativas ou simplesmente uma história.

O verdadeiro desafio não é apenas guardar essa herança. É encontrar a própria forma de levá-la adiante.

E, para Martina Ferragamo, esse caminho passa, mais uma vez, pelo cinema.

Um passo de cada vez!

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