Denúncia na Itália leva à Justiça caso de suposta “fábrica de filhos” no Brasil

O documento foi protocolado em 5 de outubro de 2026. Segundo a agência italiana Adnkronos, Bevilacqua acusa uma mulher ítalo-brasileira, Barbara Zandomenico Perito, com quem teria mantido um breve relacionamento, de atribuir-lhe uma paternidade que ele contesta. O advogado também questiona a autenticidade de um documento apresentado como exame de DNA e afirma que houve tentativas de obter pagamentos indevidos.
A denúncia sustenta que o caso teria ultrapassado uma disputa familiar. De acordo com a versão apresentada por Bevilacqua, haveria um sistema organizado, com participação de outras pessoas, destinado a obter vantagens financeiras e manter envolvidos sob influência de um grupo. Essas alegações, porém, fazem parte da versão do denunciante e ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.
A denúncia ganhou novo capítulo em setembro, quando Bevilacqua recebeu uma notificação relacionada a decisões judiciais tomadas no Brasil. Segundo o advogado, a mulher teria obtido uma decisão sobre pensão alimentícia e uma medida que o impede de se aproximar ou manter contato com ela, com base em acusações de perseguição e violência doméstica. Ele nega as acusações e afirma que elas seriam contraditas por uma perícia genética e por declarações posteriores da própria mulher.
Bevilacqua também questiona o registro civil da criança na Itália. Segundo ele, a menina foi inscrita no cadastro de italianos residentes no exterior por meio do consulado italiano em Curitiba, vinculada ao município de Longarone, na região do Vêneto. O advogado afirma ter encontrado inconsistências nas informações de residência declaradas pela mulher e pede que as autoridades verifiquem a regularidade dos registros.
A questão tem consequências que vão além do processo de paternidade. Caso a filiação a um cidadão italiano seja reconhecida, a criança poderá ter acesso à cidadania italiana por descendência, desde que sejam cumpridos os requisitos legais. Bevilacqua sustenta que, se a paternidade tiver sido atribuída de forma fraudulenta, o registro poderá servir de base para a obtenção indevida da cidadania.
Na representação, o advogado pede a apuração de possíveis crimes de falsa atribuição de paternidade, tentativa de extorsão, calúnia e uso de documento falso com repercussão internacional. Ele afirma que decisões e documentos produzidos no Brasil estariam sendo utilizados para produzir efeitos jurídicos na Itália sem as verificações que considera necessárias.
O caso também evidencia a complexidade de disputas que atravessam fronteiras: decisões judiciais, registros civis e documentos emitidos em um país podem ser apresentados em outro, mas seu reconhecimento depende das regras e dos procedimentos aplicáveis.
Por enquanto, a denúncia formaliza a versão de Bevilacqua perante a Justiça italiana. As acusações contra a mulher e a existência do suposto esquema não devem ser tratadas como fatos comprovados: caberá às autoridades analisar os documentos, verificar as alegações e determinar se houve irregularidades.
