Com tarifas em queda, Itália mira a ampliar presença no Brasil após acordo UE-Mercosul

A avaliação foi feita por Alessandro Garbellini, responsável pelo Escritório Econômico-Comercial da Embaixada da Itália em Brasília, durante a transmissão especial da agência Adnkronos na conferência “Objetivo Exportação. Empresas e territórios do centro da Itália”, promovida em Roma pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional.
Segundo Garbellini, os efeitos do acordo podem alcançar uma ampla variedade de setores da economia italiana. Entre eles estão máquinas e equipamentos industriais, produtos farmacêuticos e médicos, energias renováveis e tecnologias voltadas para a transição energética. O setor agroalimentar também aparece entre as áreas com potencial de expansão, tanto para máquinas quanto para produtos tradicionais italianos.
Um dos pontos destacados é a proteção de produtos ligados ao território. “O acordo finalmente introduz também a proteção para 57 indicações geográficas”, afirmou Garbellini. A medida deve ampliar a proteção de produtos italianos no mercado brasileiro e reforçar a presença das regiões italianas no comércio com o país.
A Itália quer se antecipar
Roma também procurou preparar suas empresas para a nova fase comercial. Em 9 de setembro, uma missão liderada pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, esteve no Brasil acompanhada por uma delegação que incluiu o presidente da Confindustria e cerca de cem representantes de empresas e associações empresariais.
Durante a visita, Itália e Brasil também acertaram a criação de uma mesa bilateral com o Ministério do Comércio brasileiro. O objetivo será acompanhar a implementação do acordo, discutir eventuais dificuldades enfrentadas pelas empresas e identificar novas possibilidades de negócios.
Para o representante da Embaixada italiana, a estratégia é justamente acompanhar de perto a entrada em uma nova etapa das relações comerciais entre os dois países. “Foi um momento em que a Itália se colocou efetivamente como pioneira”, afirmou.
O acordo UE-Mercosul, nesse cenário, passa a ser visto pelas empresas italianas não apenas como uma redução de barreiras comerciais, mas como uma oportunidade para ampliar a presença de setores tradicionais e de novas tecnologias no mercado brasileiro.
