Revolta em prisão de Pisa após detentos encontrarem escutas nas celas

Segundo as primeiras informações divulgadas pela imprensa italiana, a transmissão começou por volta das 19h, depois da descoberta dos dispositivos. O preso que fez a live utilizou um celular, apesar da proibição de aparelhos desse tipo dentro da penitenciária. Nas imagens, os detentos aparecem dentro do setor ocupado, enquanto agentes em equipamento antimotim, com escudos e cassetetes, são vistos nas áreas de ligação entre os andares.
Durante a transmissão, alguns presos disseram que haviam sido agredidos com cassetetes e reclamaram da instalação das escutas. Eles afirmaram que queriam poder conversar dentro das próprias celas sem o receio de estarem sendo monitorados. As acusações de agressão foram feitas pelos próprios detentos e ainda precisavam ser verificadas pelas autoridades.
A situação se agravou quando parte dos presos bloqueou o acesso ao setor. Polícia, Carabinieri e reforços da Polícia Penitenciária foram enviados ao local para controlar a revolta. Depois de negociações, parte dos detentos deixou a área ocupada, enquanto outro grupo permaneceu no interior da estrutura à espera de um mediador enviado de Florença.
Também houve confrontos entre alguns presos e agentes penitenciários. Ambulâncias foram chamadas para atender possíveis feridos e, segundo relatos da imprensa local, pode ter sido utilizado gás lacrimogêneo durante a intervenção. Do lado de fora do presídio, familiares e amigos dos detentos se reuniram para acompanhar a situação.
A descoberta das supostas escutas acabou se somando a outras reclamações dos presos, principalmente relacionadas ao superlotamento e às condições de higiene da penitenciária. O Don Bosco, como outras prisões italianas, enfrenta há tempos problemas relacionados à quantidade de detentos e às condições da estrutura.
No fim da noite, a situação era considerada sob controle, mas ainda havia perguntas sobre quem instalou os dispositivos encontrados nas celas, qual era sua finalidade e em que circunstâncias eles foram colocados. A investigação também deverá esclarecer o que aconteceu durante os confrontos entre presos e agentes.
