Turismo cultural na Itália atrai viajantes que gastam acima da média

Esse público também apresenta um nível de consumo superior à média. Os viajantes que chegam à Itália motivados por eventos gastaram, em média, 107 euros por dia, sem considerar transporte e hospedagem, contra 96 euros registrados pelo turista médio no país. Entre os estrangeiros, o gasto diário chegou a 109 euros, enquanto entre os chamados baby boomers alcançou 121 euros.
A experiência cultural vai além do próprio evento. Mais de 84% dos turistas desse segmento apontaram o patrimônio artístico, histórico e monumental como parte importante da viagem. Além disso, 32% afirmaram ter escolhido ou complementado o roteiro com iniciativas relacionadas às tradições e à cultura local. Nesses casos, o gasto no destino ficou 11% acima da média dos turistas.
Os dados foram apresentados durante o Mirabilia Day, realizado em 17 e 18 de setembro em Sassari e Alghero, na Sardenha. Organizado pelo Mirabilia Network, pelo Isnart e pela Câmara de Comércio de Sassari, o encontro discutiu como transformar eventos culturais em instrumentos permanentes de desenvolvimento turístico e econômico.
A proposta é utilizar os eventos não apenas como atrações isoladas, mas como parte de uma estratégia de valorização dos territórios. O Isnart desenvolveu o modelo Destinazione, um sistema nacional para avaliar o potencial turístico das manifestações e identificar aquelas capazes de gerar atratividade, reforçar a identidade local e contribuir para o desenvolvimento econômico.
O modelo também inclui o InVite, Índice de Valor e Impacto Turístico do Evento, criado para avaliar a capacidade de uma manifestação de atrair visitantes e gerar impacto econômico, além de medir sua integração com o território.
A estratégia se encaixa em uma tendência mais ampla do turismo italiano. Dados anteriores do Unioncamere-Isnart já mostravam que a cultura havia se consolidado entre os principais motivos para escolher uma viagem à Itália, enquanto os eventos vinham ganhando importância como fator de atração, especialmente entre os turistas com maior capacidade de consumo.
O fenômeno também interessa às cidades e regiões que estão fora dos circuitos turísticos mais tradicionais. Ao associar festas populares, patrimônio, gastronomia, artesanato e manifestações culturais à oferta turística, os eventos podem ajudar a distribuir os visitantes por diferentes períodos do ano e por áreas menos procuradas, ampliando o impacto econômico do turismo.
O próprio projeto Mirabilia trabalha nessa direção, conectando territórios italianos com patrimônio histórico, cultural e ambiental, incluindo locais reconhecidos pela Unesco, e buscando integrar turismo, cultura e atividades econômicas locais.
