Em uma Veneza invadida por turistas, navios de cruzeiro e pela frenesi do consumo de massa, existe e resiste um pequeno paraíso. Um oásis marcado pela tranquilidade, pela precisão e pelo encanto de um trabalho que ainda é totalmente manual, artesanal e italiano. Desde 1962, o senhor Paolo Olbi cria e produz à mão livros, cadernos e objetos nos quais o papel é o grande protagonista, utilizando técnicas tradicionais e antigas, pertencentes a uma época em que o trabalho era construído com precisão, atenção e, sobretudo, paciência. Em sua oficina estão presentes antigas prensas, papéis marmorizados e materiais nobres, entre eles couros curtidos de forma vegetal.
Sua atividade artesanal começou justamente em 1962, quando Olbi aprendeu o ofício em uma oficina, seguindo a antiga tradição do aprendizado artesanal, para depois aperfeiçoar sua formação estudando na França. Desde então, sua produção se desenvolveu mantendo uma forte ligação com as técnicas tradicionais da encadernação e com o artesanato artístico veneziano.
É um lugar onde ainda hoje se procura preservar e manter viva uma arte antiga. Uma oficina que continua resistindo à padronização comercial e a uma certa uniformização provocada pelo turismo de massa, mantendo vivo um modo de trabalhar baseado no tempo, no trabalho manual e no cuidado com os detalhes. Aqui, a história do artesanato veneziano continua sendo escrita, encadernada e impressa.
A oficina de Paolo Olbi está localizada no bairro de Dorsoduro, precisamente no número 3253/A, aos pés da Ponte Ca’ Foscari. É um espaço no qual as antigas ferramentas não são simplesmente elementos decorativos, mas continuam contando e acompanhando um ofício que faz parte da história da cidade.
Cada objeto é produzido inteiramente à mão. Os desenhos originais são utilizados para decorar os papéis, enquanto a impressão pode ser realizada por meio da antiga prensa tipográfica. Os couros são trabalhados e decorados utilizando técnicas tradicionais, incluindo a impressão a quente com ouro e a impressão a seco. Ao lado dos couros curtidos de forma vegetal, também são utilizados materiais alternativos, buscando responder a uma sensibilidade cada vez maior em relação ao meio ambiente sem abrir mão da pesquisa estética e da criatividade.
A produção inclui diários, cadernos, álbuns fotográficos, agendas, pastas, porta-retratos, cartões e outros objetos de papel e couro. Para as encadernações artísticas mais elaboradas, a oficina também trabalha em conjunto com outros mestres artesãos especializados em mármore, vidro e prata. O resultado são peças únicas, nas quais diferentes formas do artesanato veneziano se encontram e se completam.
É justamente essa capacidade de unir tradição e invenção que tornou o trabalho de Olbi tão particular no cenário do artesanato veneziano. Não se trata apenas de livros, mas de verdadeiros objetos de arte, produzidos por meio de processos nos quais cada etapa exige tempo, experiência e precisão.
Em 1975 chega, então, uma importante mudança. Olbi inicia uma nova produção dedicada aos artigos de encadernação artística para presentes, experimentando uma combinação entre os trabalhos típicos da cidade e as técnicas tradicionais da encadernação. Dessa pesquisa surgem objetos originais, que ao longo do tempo se tornaram uma das expressões mais reconhecidas de seu trabalho.
A história da oficina também revela uma outra Veneza, distante das imagens mais conhecidas da cidade turística. Uma Veneza feita de oficinas, antigos ofícios, ferramentas que continuam funcionando e artesãos que escolheram não abandonar o trabalho manual.
Em um mundo no qual quase tudo é produzido rapidamente e em série, entrar em uma oficina como a de Paolo Olbi significa encontrar uma maneira completamente diferente de conceber um objeto. Um livro não é apenas um conjunto de páginas, assim como um caderno não é apenas um espaço em branco para preencher: ambos se tornam o resultado de um trabalho no qual cada material, cada gravação e cada costura têm sua própria história.
E talvez seja justamente essa a força de uma oficina veneziana que, desde 1962, continua transformando papel, couro e técnicas antigas em algo que vai muito além de um simples objeto. Uma pequena realidade artesanal que resiste no coração de Veneza e que, ainda hoje, demonstra como a tradição pode continuar viva quando alguém escolhe dedicar tempo a ela.
Serviços:
Dorsoduro 3253/A, 30123 Veneza, Itália

