Stellantis transforma reciclagem em negócio com peças usadas no Brasil

Os números foram divulgados pela Stellantis e repercutidos pelo portal ClubAlfa.it, que acompanha o setor automotivo italiano. O centro Circular AutoPeças de Osasco é apresentado como o primeiro da América do Sul criado por uma montadora especificamente para o desmonte legal, controlado e rastreável de veículos.
A ideia é simples: quando um automóvel não tem mais condições de continuar circulando, nem tudo precisa ser descartado. Componentes que ainda podem ser utilizados são retirados, avaliados e colocados novamente no mercado. O resultado é uma espécie de segunda vida para peças que, de outra maneira, poderiam terminar como sucata.
No primeiro ano de funcionamento, além das peças recuperadas, o centro administrou 862 toneladas de materiais e quase 14 mil litros de fluidos automotivos. Entre eles estavam mais de 4.600 litros de óleo e aproximadamente 1.830 litros de líquido de arrefecimento, que precisam ser destinados de maneira adequada.
A operação também mostra que a economia circular pode ser um negócio. Os mais de 11 mil componentes já comercializados representam uma alternativa para consumidores e oficinas que procuram peças de segunda vida, potencialmente com preços mais acessíveis, mas dentro de um sistema de origem e rastreabilidade controladas.
Segundo os dados apresentados pela Stellantis, o reaproveitamento de um componente pode reduzir em até 80% o consumo de matérias-primas e em até 50% as emissões de CO₂ em comparação com a fabricação de uma peça nova equivalente.
Osasco faz parte de uma estratégia mais ampla do grupo, baseada em quatro frentes: regeneração, reparo, reutilização e reciclagem. Na América do Sul, a Stellantis desenvolve essa atividade por meio da marca Circular AutoPeças, que já oferece mais de 500 componentes entre peças regeneradas, reparadas e reutilizadas.
O grupo também mantém em Betim, Minas Gerais, um centro de recondicionamento de veículos. Em pouco mais de três anos, a unidade já recuperou mais de 500 automóveis para que voltassem a ser utilizados.
E o projeto de Osasco ainda está longe de atingir seu limite. O centro tem capacidade para chegar a 8 mil veículos desmontados por ano, mais de seis vezes o volume processado em seu primeiro ano.
O próximo passo, segundo a estratégia apresentada pela Stellantis, é justamente ampliar a quantidade de veículos processados, aumentar a recuperação de componentes e desenvolver os canais de comercialização. Para a indústria automobilística, a ideia representa uma mudança importante: o fim de um carro pode ser também o começo de uma nova vida para suas peças.
