Vinho italiano recua no mundo, mas Brasil se destaca entre os mercados em alta

O vinho italiano enfrenta um período difícil no mercado internacional, mas o Brasil aparece entre as poucas exceções positivas. No primeiro semestre de 2026, as exportações italianas do setor somaram pouco mais de €3,6 bilhões, uma queda de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, a retração foi de 4%, para cerca de 989,6 milhões de litros.

Os dados são do Observatório da Unione Italiana Vini (UIV), elaborados a partir das informações do Istat e repercutidos pela imprensa italiana. O levantamento mostra uma queda nas compras de nove dos dez principais mercados consumidores. A exceção foi a Rússia, que avançou 15,7%.

Entre os grandes destinos, os resultados foram particularmente negativos. Os Estados Unidos, principal mercado do vinho italiano, importaram €849 milhões, queda de 14,1%. A Alemanha ficou em segundo lugar, com €543,5 milhões (-6,7%), enquanto o Reino Unido registrou €345,5 milhões (-6,6%). Também caíram as vendas para Canadá (-4,1%), Suíça (-10,9%), França (-1,7%), Países Baixos (-3%), Bélgica (-11,4%) e Suécia (-1,4%).

O preço médio de exportação também recuou, 2,3%, com uma queda ainda mais forte nos Estados Unidos, de 7,8%. O cenário reflete uma combinação de demanda internacional mais fraca, perda de poder de compra e tensões geopolíticas.

Mas há mercados que caminham na direção contrária. A China cresceu 19,8%, enquanto a Rússia avançou 15,7%. E o Brasil registrou alta de 8,2%, com importações de aproximadamente €20,1 milhões no primeiro semestre. Considerando todo o Mercosul, o crescimento chegou a 18,4%.

O contraste chama atenção porque ocorre justamente quando os principais mercados tradicionais do vinho italiano estão reduzindo suas compras. Para as vinícolas italianas, o Brasil aparece assim como um mercado ainda capaz de absorver mais produto em um momento de retração global.

Os resultados também variam conforme o tipo de vinho. Os espumantes ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,4%, enquanto os vinhos tranquilos engarrafados recuaram 8,9%.

Há diferenças igualmente importantes entre as regiões produtoras. O Vêneto, líder das exportações italianas de vinho, caiu 8,4%, enquanto a Toscana recuou 7,4%. O Piemonte foi uma exceção entre as grandes regiões, com crescimento de 2,4%, impulsionado pelo desempenho dos espumantes Asti.

Apesar do primeiro semestre negativo, o Observatório da UIV identifica sinais de possível recuperação. Os dados preliminares de julho e agosto apontam para uma retomada das vendas em alguns mercados fora da União Europeia, inclusive com crescimento de dois dígitos nos Estados Unidos em relação ao mesmo período de 2025.

Ainda é cedo para falar em recuperação definitiva. O quadro, porém, deixa uma indicação interessante para o setor: enquanto os grandes mercados tradicionais perdem força, Brasil e China estão entre os destinos que ajudam a sustentar as exportações do vinho italiano em um cenário global mais difícil.
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