Roma abre novo espaço nas Termas de Trajano com arte romana inédita

O novo percurso fica entre a grande exedra das Termas de Trajano e a galeria subterrânea que atravessa uma parte menos conhecida do complexo arqueológico. É justamente no subsolo que estão algumas das descobertas que ajudam a reconstruir a história do local e mostram como diferentes épocas da cidade se sobrepõem no mesmo espaço.
As Termas de Trajano foram inauguradas em 109 d.C., durante o governo do imperador Trajano, e projetadas pelo arquiteto Apolodoro de Damasco. O complexo ocupava mais de seis hectares e estava entre os maiores conjuntos termais do mundo romano. Mas não era apenas um lugar destinado aos banhos: o projeto reunia áreas para exercícios físicos, lazer, passeios e atividades culturais.
Essa característica também aparece na monumental exedra sudoeste, uma estrutura semicircular com cerca de 30 metros de diâmetro. Suas numerosas nichos são interpretados como espaços destinados a armários para livros e documentos, indicando que as termas também funcionavam como um lugar de circulação de conhecimento.
O que torna a nova área particularmente interessante, porém, está abaixo do nível das antigas termas. As escavações realizadas na região da antiga Polveriera Pontificia revelaram uma galeria subterrânea e estruturas anteriores à construção do complexo de Trajano. Parte desses vestígios é associada por alguns estudiosos à Domus Aurea, o gigantesco palácio construído pelo imperador Nero, enquanto outras interpretações os situam em uma fase posterior, mas ainda anterior às termas.
A chamada Città Dipinta é um dos achados mais impressionantes. Trata-se de um afresco de aproximadamente dez metros quadrados, datado do século I d.C., que representa uma paisagem urbana e constitui uma das peças de maior interesse do novo percurso. Ao lado dela está o Grande Mosaico, uma extensa decoração parietal organizada em diferentes registros.
As duas obras passaram por restauração e agora podem ser observadas dentro de um percurso preparado para receber visitantes. O projeto também criou uma nova passarela para circulação, uma área de acolhimento e uma livraria, além de um espaço dedicado às fistulae, as antigas tubulações de chumbo utilizadas no sistema hidráulico romano.
A intervenção incluiu ainda iluminação, áreas verdes, assentos em formato de arquibancada e recursos didáticos para ajudar o público a entender as diferentes fases de ocupação do local. A ideia é permitir que a visita não seja apenas uma observação de ruínas, mas uma leitura das várias camadas que formaram aquela parte de Roma ao longo dos séculos.
O trabalho faz parte de uma série de intervenções realizadas no Colle Oppio com recursos do programa Caput Mundi. O parque histórico da região também passou recentemente por obras de restauração, incluindo fontes, acessos monumentais e estruturas relacionadas ao antigo sistema de abastecimento de água.
A abertura das Termas de Trajano ao público começa de forma experimental em 12 de setembro, com visitas guiadas gratuitas e grupos reduzidos, uma escolha relacionada à necessidade de acompanhar o impacto da presença de visitantes sobre estruturas e obras particularmente delicadas. A partir de outubro, o percurso poderá ser visitado de sexta-feira a domingo, de 10h a 15h, com limite de 15 pessoas por horário e necessidade de reserva.
O novo espaço acrescenta, assim, mais uma possibilidade para quem visita Roma além dos grandes monumentos conhecidos. No Colle Oppio, a poucos passos do Coliseu, a cidade permite agora entrar em uma parte subterrânea das antigas termas e observar diretamente vestígios que ajudam a contar uma história muito mais longa do que a do próprio complexo de Trajano.
