Herdeiro do império da Luxottica Del Vecchio Jr deixa o grupo e critica nova gestão

Leonardo Maria Del Vecchio, um dos oito filhos do fundador da Luxottica, decidiu deixar todos os cargos executivos que ocupava na EssilorLuxottica, gigante ítalo-francesa que reúne algumas das marcas mais conhecidas do mercado mundial de óculos. A saída, porém, não significa um afastamento dos negócios da família: ele continuará como acionista e pretende se dedicar a novos projetos empresariais.

A informação foi divulgada pela imprensa italiana, após a notícia ser antecipada pelo jornal financeiro Milano Finanza. Em uma carta dirigida à direção da empresa, Del Vecchio anunciou sua saída da presidência da Ray-Ban e do cargo de diretor de estratégia do grupo.

A decisão chama atenção não apenas pelo peso do sobrenome, mas também pelo tom da despedida. Segundo trechos da carta publicados na Itália, Leonardo Maria criticou uma gestão que considera “distante” e “impessoal”, afirmando que a empresa teria se afastado da cultura construída por seu pai. “Não quero me tornar o filho do fundador usado para representar uma continuidade na qual, em alguns princípios fundamentais, eu mesmo já não me reconheço”, escreveu.

Para entender o peso dessa saída, é preciso voltar à história do pai. Leonardo Del Vecchio, morto em 2022, foi um dos empresários mais emblemáticos da Itália. Nascido em uma família humilde e criado em um orfanato, construiu a Luxottica a partir de uma pequena empresa de componentes para óculos, transformando-a em um império global. Sob seu comando, o grupo passou a controlar marcas como Ray-Ban, Oakley e Persol, além de produzir armações para grandes grifes da moda e construir uma rede internacional de distribuição e varejo.

Após a morte do fundador, sua fortuna e o controle da holding familiar Delfin foram divididos entre oito herdeiros. Cada um possui 12,5% da empresa que está no centro de um dos maiores patrimônios empresariais da Europa. A Delfin, por sua vez, é uma potência financeira. Além de ser a principal acionista da EssilorLuxottica, possui participações relevantes em instituições como Monte dei Paschi di Siena, Generali e UniCredit, além de controlar de fato o grupo imobiliário internacional Covivio.



Leonardo Maria Del Vecchio deixa os cargos operacionais depois de três anos à frente da Ray-Ban, mas continuará ligado à família empresária por meio de sua participação na Delfin. Na carta, ele afirma que sua decisão não representa uma derrota nem um rompimento com a empresa. Segundo ele, o ciclo à frente da Ray-Ban terminou com metas superadas e com projetos que continuarão em andamento. A diferença, agora, é que Del Vecchio quer seguir outros caminhos empresariais.

A saída também ocorre em um momento delicado para o futuro do império construído pelo pai. Mais de quatro anos após a morte de Leonardo Del Vecchio, os oito herdeiros ainda não chegaram a um acordo definitivo sobre a execução do testamento do fundador, mantendo em aberto algumas questões sobre o futuro da governança familiar.

Por enquanto, Leonardo Maria deixa o dia a dia da EssilorLuxottica, mas não o poder acionário. É uma mudança de posição dentro de uma das famílias mais ricas e influentes da Itália — e, ao mesmo tempo, o início de uma tentativa de construir um caminho empresarial próprio, fora da sombra direta do homem que transformou uma pequena fábrica italiana no maior grupo de óculos do mundo.
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