Pompeia revive Dioniso em noites de teatro entre ruínas e descobertas

Pompeia continua encontrando novas maneiras de contar sua própria história. Entre o fim de agosto e setembro, o sítio arqueológico italiano será palco de uma programação teatral inspirada em uma das descobertas recentes mais interessantes da cidade antiga: a Casa do Tiaso, espaço associado ao culto de Dioniso identificado durante as escavações realizadas em 2024 e 2025.

O projeto, chamado “Ecstatic Pompeii – I misteri di Dionysos”, integra a segunda edição do festival Esopop, storie in festival, promovido pelo Parque Arqueológico de Pompeia. As apresentações acontecerão às sextas e aos sábados, de 28 de agosto a 26 de setembro, aproveitando também as aberturas noturnas dos sítios arqueológicos.

A ideia é fazer com que a arqueologia deixe por algumas horas o formato tradicional de exposição e ganhe movimento dentro das próprias paisagens onde a história aconteceu. O ponto de partida é Dioniso, figura central do imaginário religioso antigo e ligado ao vinho, ao êxtase, à transformação e às festas.

A programação atravessa diferentes locais da região do Vesúvio. A estreia será em 28 de agosto, na Villa de Poppea, em Oplontis, seguida, no dia 29, por uma apresentação na Villa dos Mistérios, em Pompeia. O espetáculo Semele. La verità è un fuoco, de Rosario Sparno, abre a programação.

As histórias vêm sobretudo do universo das Bacantes, de Eurípides. Dioniso, Semele, Tirésias e Penteu aparecem entre as ruínas em uma releitura contemporânea que procura aproximar o público dos personagens e dos conflitos presentes na antiga tragédia grega.

O projeto também amplia a experiência para outros sítios arqueológicos, incluindo Boscoreale e Stabia, criando uma espécie de percurso teatral pelo território vesuviano. A intenção é conectar lugares diferentes por meio de uma mesma narrativa e mostrar que a herança arqueológica da região não termina nos limites de Pompeia.

As produções são realizadas pela Casa del Contemporaneo, com textos e direção de Rosario Sparno e Fabio Cocifoglia. Os figurinos fazem parte das coleções do florentino Filippo Giorgi e foram incorporados ao projeto em colaboração com a Sanctamuerte.

A escolha de Dioniso também cria uma ponte particularmente sugestiva com a própria vida cotidiana da Antiguidade. O deus ocupava um lugar importante no imaginário mediterrâneo e sua presença estava associada não apenas à religião, mas também ao vinho, ao teatro e às celebrações coletivas.

Em Pompeia, onde os vestígios preservados permitem reconstruir aspectos muito íntimos da sociedade romana, novas descobertas continuam acrescentando detalhes a esse universo.

Nos últimos anos, o próprio sítio arqueológico vem mostrando como ainda há muito a descobrir. A pesquisa arqueológica revelou casas, inscrições, espaços religiosos e objetos capazes de modificar o que se conhecia sobre a cidade soterrada pelo Vesúvio.

Agora, a operação é inversa: em vez de uma nova descoberta revelar o passado, o passado serve de matéria-prima para uma experiência artística contemporânea. Durante algumas noites do verão italiano, as ruínas deixam de ser apenas o cenário silencioso de uma visita e passam a receber novamente vozes, personagens e histórias.

É uma maneira diferente de olhar para Pompeia: não apenas como uma cidade interrompida há quase dois mil anos, mas como um patrimônio que continua produzindo novas histórias no presente.

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