Seleção italiana se atola na crise: após veto a Pirlo, Maldini e Leonardo pedem demissão

Pirlo era o nome escolhido pela dupla para iniciar um novo ciclo após a saída de Gennaro Gattuso. Campeão do mundo em 2006 e um dos maiores meio-campistas da história do futebol, ele chegou a ser tratado como o favorito para assumir o cargo. No entanto, a negociação foi interrompida depois que a Federação avaliou como incompatível seu vínculo comercial com a Fonbet, empresa russa de apostas esportivas. O regulamento da FIGC impede profissionais filiados à entidade de manterem relações promocionais com casas de apostas, e o fato de a empresa ser russa, em meio ao contexto geopolítico da guerra na Ucrânia, aumentou ainda mais o desconforto institucional.
A desistência representou um duro golpe para Maldini e Leonardo. Os dois haviam apresentado há poucos dias um plano para relançar o futebol italiano e apostavam em Pirlo como símbolo dessa reconstrução. Com o fracasso da operação — somado ao “não” recebido anteriormente de Pep Guardiola — a relação com o presidente da Federação, Giovanni Malagò, tornou-se insustentável. Diante do impasse, ambos comunicaram a decisão de deixar seus cargos.
Agora, a Federação volta praticamente à estaca zero. Sem Pirlo, os dois nomes que permanecem na disputa pela seleção são Antonio Conte e Roberto Mancini. Conte aparece como o favorito entre os clubes da Serie A, enquanto Mancini continua sendo uma alternativa fortemente considerada por Malagò, que tenta encontrar rapidamente uma solução para uma seleção que vive uma das fases mais turbulentas de sua história recente.
A sucessão de mudanças evidencia o momento delicado vivido pelo futebol italiano. Depois de ficar fora de três Copas do Mundo consecutivas e acumular uma série de decisões frustradas nos bastidores, a Azzurra segue em busca de estabilidade. A escolha do novo treinador deverá acontecer nas próximas horas, mas o episódio deixa claro que a crise vai muito além das quatro linhas e atinge também a estrutura de comando da Federação.
