IA impulsiona corrida por data centers e Itália vê explosão de novos projetos

A inteligência artificial e a expansão dos serviços em nuvem estão acelerando uma verdadeira corrida pela construção de data centers na Itália. O país registrou um número recorde de projetos para novas instalações, refletindo uma tendência que já transforma o mercado digital em toda a Europa e coloca a infraestrutura tecnológica entre as prioridades estratégicas do governo.

Segundo o Il Sole 24 Ore, já foram apresentados 342 pedidos de conexão à rede elétrica italiana, somando uma demanda potencial de 55 gigawatts. Para se ter uma ideia da velocidade desse crescimento, entre 2019 e 2021 os projetos mal ultrapassavam 1 gigawatt. Em apenas alguns anos, a procura aumentou mais de cinquenta vezes.

Mas o que explica essa explosão? Os data centers são grandes instalações que abrigam milhares de servidores responsáveis por armazenar, processar e distribuir dados. É deles que dependem serviços de streaming, plataformas em nuvem, bancos, comércio eletrônico, redes sociais e, principalmente, os sistemas de inteligência artificial, que exigem enorme capacidade de processamento e consumo constante de energia.

Nos últimos anos, a popularização da IA generativa fez disparar a demanda por esse tipo de infraestrutura. Cada nova aplicação baseada em inteligência artificial precisa de centros de dados capazes de operar 24 horas por dia, com alta segurança, conexão rápida e fornecimento estável de eletricidade.

A maior parte dos projetos está concentrada no norte da Itália, região que reúne boa infraestrutura logística e digital. A Lombardia lidera com folga, impulsionada principalmente por Milão, que se consolida como o principal polo italiano de data centers. Em seguida aparecem Piemonte, Lácio e Emília-Romanha.

Esse crescimento, porém, também traz novos desafios. Grandes data centers consomem quantidades expressivas de energia elétrica com alguns que chegam a utilizar volume semelhante ao de uma cidade de médio porte. Segundo estimativas da operadora da rede elétrica italiana, até 2030 esses centros poderão representar cerca de 3% de todo o consumo nacional de eletricidade, um percentual semelhante ao observado em outros países europeus.

Por isso, além da capacidade tecnológica, a disponibilidade de energia tornou-se um fator decisivo para atrair investimentos. Em muitos casos, os projetos já são planejados juntamente com novas instalações de geração elétrica para garantir o abastecimento das futuras estruturas.

Diante desse cenário, o governo italiano prepara uma reforma para acelerar a aprovação dos empreendimentos. A proposta prevê a criação de um procedimento único de licenciamento para reduzir a burocracia e diminuir significativamente o tempo necessário para autorizar a construção ou ampliação de data centers, especialmente daqueles considerados estratégicos para o desenvolvimento digital do país.

A iniciativa acompanha uma disputa internacional cada vez mais intensa. Com a corrida global pela inteligência artificial, países europeus competem para atrair investimentos bilionários de empresas de tecnologia e fundos especializados. Ter uma infraestrutura robusta de data centers deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a representar um diferencial econômico e geopolítico.

Para a Itália, o momento representa uma oportunidade de fortalecer sua posição no mapa digital europeu. Se conseguir ampliar a infraestrutura elétrica e tornar os processos de licenciamento mais ágeis, o país poderá atrair novos investimentos em computação em nuvem, inteligência artificial e serviços digitais, setores considerados fundamentais para a economia das próximas décadas.
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