Em Milão existe uma sorveteria que produz sorvete como antigamente desde 1956: a história da Cream Garden

Fundada em 1956 e pertencente à família Valente desde os anos 1980, a Cream Garden é uma sorveteria-laboratório que sempre trabalhou com matérias-primas de altíssima qualidade e receitas tradicionais. A loja está localizada na Via Quaranta, em Milão, e hoje a empresa chegou à terceira geração da família. São quase 70 anos de história que se confundem com a própria história da cidade. Atualmente, quem está à frente do negócio é Simona Valente, que assumiu o comando após seu pai, Raffaele. O sorvete continua sendo produzido seguindo as mesmas diretrizes transmitidas pela família há mais de seis décadas. É um processo que exige mais tempo e atenção do que os métodos modernos, mas que entrega um resultado completamente diferente.

A Cream Garden nasceu em 1956 por iniciativa do engenheiro Locati, empresário do setor moveleiro, que decidiu abrir uma sorveteria em frente à sua empresa, na Via Ripamonti. Mas de onde surgiu o nome? No endereço original havia um grande jardim com mesas e guarda-sóis, onde os clientes podiam saborear um sorvete em um ambiente tranquilo e agradável.

Na década de 1960, Raffaele Valente começou a trabalhar na Cream Garden como funcionário e mestre sorveteiro. Depois de mais de vinte anos de experiência, em 1982 decidiu adquirir a sorveteria do engenheiro Locati.

A ligação da família Valente com a sorveteria sempre foi muito forte. No atendimento também trabalhava Concetta, esposa de Raffaele, figura histórica atrás do balcão e conhecida por diversas gerações de clientes.

O ano de 1993 marcou uma importante mudança para a Cream Garden. Após o falecimento do engenheiro Locati, proprietário do imóvel, a família decidiu vender toda a propriedade. Os Valente tentaram comprá-la, mas a negociação não foi concluída. A sorveteria foi então transferida poucos metros adiante, para o atual endereço na Via Quaranta 3, preservando o nome e a identidade que já faziam parte da história do bairro.

Em 2001, Simona Valente passou a trabalhar em tempo integral na empresa da família. Nessa época também foi criado um laboratório dedicado exclusivamente à produção de sorvetes para restaurantes de Milão.

“Durante quase vinte anos me dediquei integralmente ao laboratório. Fornecíamos sorvetes para inúmeros restaurantes da cidade”, conta.

A produção destinada ao setor de restaurantes foi reduzida após os anos da pandemia, embora o fornecimento para diversos estabelecimentos continue até hoje, paralelamente às vendas na sorveteria. Enquanto isso, a terceira geração passou a fazer parte do negócio. Alessandro, de 22 anos, aprendeu o ofício diretamente com o avô Raffaele e com o histórico mestre sorveteiro que trabalhou durante muitos anos no laboratório. Após o falecimento de Raffaele Valente, em 2023, Simona assumiu oficialmente a direção da empresa.

Das receitas tradicionais aos sabores mais procurados

Todos os dias o balcão oferece cerca de 35 sabores, todos produzidos no laboratório da própria sorveteria. A filosofia permanece a mesma estabelecida por Raffaele Valente: trabalhar diretamente com as matérias-primas, sem utilizar bases industrializadas. Os pistaches são processados no laboratório, as amêndoas são trabalhadas internamente, os limões são espremidos manualmente e todas as frutas respeitam rigorosamente a sazonalidade.

“Não utilizamos produtos semiprontos. Trabalhamos com leite fresco integral, ovos com casca e produzimos cada receita a partir dos ingredientes”, explica Simona.

Na produção é utilizado leite fresco de Soresina, enquanto os ovos são fornecidos pela fazenda La Vigna. Aos sabores clássicos juntam-se os preferidos do verão, como manga, maracujá e goiaba, além das opções sazonais, como melão e tangerina em suas respectivas épocas do ano.

Entre as receitas mais tradicionais está o dulce de leche, produzido desde 1985.

“Meu pai se apaixonou por ele durante uma viagem ao Uruguai. Uma senhora lhe ensinou a receita caseira tradicional e até hoje a fazemos da mesma maneira, cozinhando lentamente leite e açúcar antes de transformá-los em sorvete.”

O cardápio também oferece diversas opções veganas. Além dos sorvetes de frutas à base de água, sabores como avelã e chocolate também são preparados sem leite nem ovos. A vitrine ainda inclui semifreddo, porções individuais de torrone, tiramisù, marron glacé, cassata, trufas de sorvete, biscoitos recheados, mini cones cobertos com chocolate e bombons de sorvete que variam ao longo do ano.

O cone com dois sabores custa a partir de 3,30 euros, enquanto as embalagens para viagem são vendidas por 30 euros o quilo. Ao lado da sorveteria funciona também uma pequena cafeteria, com uma oferta simples de café expresso, cappuccino e alguns croissants fornecidos por uma tradicional confeitaria do bairro.

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