Itália amplia restrições aos aluguéis de temporada e eleva impostos locais

Alugar um apartamento por poucos dias para turistas está ficando mais caro em várias cidades italianas. Nos últimos meses, administrações municipais passaram a aumentar impostos e criar novas regras para os aluguéis de curta duração, modalidade popularizada por plataformas como Airbnb e Booking. O objetivo, segundo as prefeituras, é reduzir os impactos do turismo de massa, financiar serviços urbanos e tentar equilibrar o mercado imobiliário nas cidades mais visitadas do país.

De acordo com o Corriere della Sera, a iniciativa mais recente veio de Gênova, que decidiu elevar a taxa de turismo cobrada dos hóspedes que se hospedam em apartamentos destinados exclusivamente ao aluguel de temporada. O valor passará de 3 para 5 euros por noite, enquanto hóspedes de bed & breakfast, pousadas e casas de temporada pagarão 4 euros.

A novidade chama atenção porque diferencia os apartamentos turísticos das demais formas de hospedagem. Os recursos arrecadados, segundo a prefeitura, serão destinados à promoção do turismo, à manutenção urbana e a projetos de desenvolvimento econômico.

A medida faz parte de um movimento mais amplo observado em diversas cidades italianas. Nos últimos anos, o crescimento acelerado dos aluguéis de curta duração trouxe benefícios para o turismo, mas também abriu um intenso debate sobre seus efeitos. Em muitos centros históricos, moradores reclamam da redução da oferta de imóveis para aluguel tradicional e da alta dos preços da habitação, enquanto as administrações afirmam que o aumento do fluxo turístico exige maiores investimentos em limpeza urbana, transporte e manutenção dos espaços públicos.

Além da taxa de turismo, outro ponto de discussão é a Tari, o imposto municipal destinado ao serviço de coleta e tratamento de resíduos. Em várias cidades, imóveis utilizados para locações de curta duração passaram a ser classificados como estabelecimentos não residenciais, recebendo uma tributação mais elevada do que uma residência comum.

Esse modelo já é aplicado, com regras diferentes, em cidades como Bolonha, Nápoles, Salerno e Rimini. Em Florença, a prefeitura estuda aumentar a Tari para proprietários que administram mais de quatro apartamentos destinados ao turismo, enquanto também ampliou as restrições para a abertura de novos imóveis desse tipo em áreas da cidade.

As mudanças, porém, dividem opiniões. Para as administrações municipais, trata-se de uma forma de distribuir de maneira mais justa os custos gerados pelo turismo e preservar o equilíbrio entre visitantes e moradores. Já representantes do setor de aluguel de temporada afirmam que as novas cobranças acabam penalizando principalmente pequenos proprietários, muitos deles pertencentes à classe média, além de reduzir as opções de hospedagem para turistas que procuram alternativas mais acessíveis do que os hotéis.

O debate acontece em um momento de mudanças também no plano nacional e europeu. Desde 2026, a legislação italiana passou a considerar determinadas atividades de aluguel de curta duração como atividade empresarial, impondo novas obrigações fiscais e administrativas. Paralelamente, a União Europeia aprovou regras para reforçar o compartilhamento de dados entre plataformas digitais e autoridades públicas, facilitando o controle desse mercado em todos os países do bloco.

O resultado é que administrar um imóvel destinado ao aluguel turístico na Itália está se tornando uma atividade cada vez mais regulamentada. Entre novas taxas, impostos municipais e regras urbanísticas, o cenário muda rapidamente de uma cidade para outra, refletindo a tentativa das autoridades de encontrar um equilíbrio entre o crescimento do turismo e a qualidade de vida dos moradores. 

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