Após os protestos, Governo revoga autorizações do projeto de ultraluxo Tavolara Bay, do grupo JHSF

Como noticiado pelo Jornal Italia em 1º de julho, os protestos dos moradores e dos comitês criados para combater o projeto do grupo brasileiro JHSF, que previa a construção de um resort de ultraluxo, parecem ter sido ouvidos. O Governo, de fato, acolheu o apelo da população, que sempre se posicionou contra a construção do empreendimento e a transformação do território.

A suspensão do complexo de luxo, parte de um projeto mais amplo que incluía vilas, hotéis e campos de golfe, também foi acompanhada pela renúncia do secretário municipal de Turismo, Roberto Bianco, irmão de Alberto Bianco, líder do grupo de investidores responsável pelo projeto Tavolara Bay.

Não haverá mais Zona Econômica Especial (ZES) em Cala Finanza. Tampouco será construído o hotel com glamping de luxo planejado pela empresa Tavolara Bay para o promontório da localidade costeira de Loiri Porto San Paolo, no nordeste da Sardenha. O Governo revogou as autorizações concedidas ao empreendimento.

A decisão representa uma forte freada no projeto turístico que seria implantado em frente à belíssima Ilha de Tavolara. O plano previa a construção de um hotel cinco estrelas, 26 vilas, estruturas comerciais e de hospedagem, além de um campo de golfe de 18 buracos, em uma área total de 120 hectares, equivalente a 1,2 milhão de metros quadrados.

O grupo de investidores era composto por italianos e estrangeiros. Investidores italianos detinham 13% da participação, enquanto o grupo brasileiro JHSF, liderado por Auriemo Neto, possuía 44%. Os 43% restantes pertenciam ao grupo luxemburguês Csfg, por meio de empresas e trusts registrados nas Ilhas Virgens Britânicas, em Malta, nas Bahamas e em Delaware.

O ministro da Economia da Itália, Giancarlo Giorgetti, havia declarado oficialmente que o Estado não concederia subsídios nem incentivos públicos a empresas sediadas em paraísos fiscais.

“Antes de receber qualquer contribuição, os envolvidos neste caso terão de passar por cima do corpo do ministro.”

Essa foi a declaração de Giorgetti à imprensa.

Autorização revogada

O Departamento para o Sul da Presidência do Conselho de Ministros revogou a autorização concedida em 6 de fevereiro de 2026, que havia permitido o avanço do projeto por meio do procedimento da ZES Única, mecanismo que confere ao Governo poderes extraordinários para acelerar processos administrativos e superar entraves burocráticos.

Após os intensos protestos dos moradores, dos comitês e do Conselho Municipal, chegou de Roma a decisão de interromper o projeto. A revogação refere-se ao único projeto formalmente apresentado: o do glamping (camping de luxo). Conforme também esclareceu a Região da Sardenha, nunca foi protocolado qualquer pedido referente ao resort que a empresa italiana Tavolara Bay Srl pretendia construir na mesma área.

“A Sardenha tinha razão. O Governo tentou decidir em nosso lugar”, declarou a presidente da Região da Sardenha, Alessandra Todde.

“O Governo teve de se render aos fatos e dar um passo atrás, revogando as autorizações necessárias”, acrescentou a governadora.

O respeito ao território e ao Plano Paisagístico Regional prevaleceu sobre um projeto que, desde o início, nunca foi plenamente esclarecido e sempre despertou dúvidas e forte oposição por parte da população local.

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