A Justiça italiana encerrou um dos julgamentos criminais mais acompanhados dos últimos anos no país. O Tribunal de Busto Arsizio, na região da Lombardia, condenou à prisão perpétua a brasileira Adilma Pereira Carneiro, apontada como a principal articuladora do assassinato de Fabio Ravasio, de 52 anos, morto em agosto de 2024 nos arredores de Milão.
O caso ganhou enorme repercussão na imprensa italiana porque, num primeiro momento, parecia apenas mais um atropelamento com fuga do motorista. A vítima voltava para casa de bicicleta quando foi atingida por um veículo. Com o avanço das investigações, porém, a hipótese de acidente começou a ruir e deu lugar à reconstrução de um plano criminoso elaborado para simular uma tragédia de trânsito.
Segundo os magistrados, o homicídio envolveu várias pessoas, cada uma com uma função específica. Além da brasileira, outros dois acusados também receberam pena de prisão perpétua. Outros integrantes do grupo foram condenados a penas que variam entre 14 e 24 anos de prisão.
De acordo com a acusação, o crime teria sido planejado durante meses. A investigação concluiu que havia pessoas encarregadas de monitorar os deslocamentos da vítima, coordenar a execução do atropelamento e até criar condições para facilitar a ação na estrada. Um dos condenados teria atuado para bloquear temporariamente o trânsito, enquanto outros acompanharam a movimentação de Ravasio antes do ataque.
Um dos momentos mais marcantes do processo ocorreu quando o filho da brasileira admitiu participação no esquema e confirmou perante a Justiça o envolvimento da própria mãe. Seu depoimento foi considerado decisivo para consolidar a tese da promotoria.
Os investigadores sustentam que a motivação do crime estava ligada a interesses patrimoniais e financeiros. Para a acusação, a morte de Ravasio abriria caminho para benefícios econômicos ligados ao patrimônio da vítima.
A sentença encerra a primeira fase judicial de uma história que mobilizou a opinião pública italiana pela combinação de relações familiares, interesses econômicos e um plano que, segundo a reconstrução dos investigadores, foi cuidadosamente organizado para parecer um simples acidente de trânsito. Ainda cabem recursos às instâncias superiores da Justiça italiana.
Brasileira é condenada à prisão perpétua por homicídio que chocou a Itália

