Quando se fala em economia italiana, muitos pensam imediatamente em grandes marcas de luxo, montadoras famosas ou gigantes da indústria. Mas a verdadeira espinha dorsal do sistema produtivo do país está em outro lugar: nas pequenas e médias empresas espalhadas por cidades, vilarejos e distritos industriais que formam uma das redes empresariais mais capilares da Europa.
Novos dados divulgados pela Unioncamere e repercutidos pela imprensa italiana mostram a dimensão desse fenômeno. Das cerca de 120 mil empresas italianas que exportam regularmente, mais de 118 mil são pequenas e médias empresas. Juntas, elas respondem por aproximadamente 280 bilhões de euros em vendas para mercados internacionais.
O dado ajuda a explicar uma característica singular da economia italiana. Diferentemente de outros países europeus, onde as exportações costumam estar concentradas em grandes grupos industriais, a Itália construiu seu sucesso internacional apoiada em milhares de empresas familiares especializadas em setores como máquinas industriais, alimentos, moda, móveis, design, componentes mecânicos, farmacêuticos e tecnologias de nicho.
Esse modelo permitiu que produtos italianos chegassem aos cinco continentes e ajudou o país a manter uma das maiores potências exportadoras do mundo. O chamado “Made in Italy” é resultado não apenas de grandes marcas conhecidas globalmente, mas também de uma imensa rede de empresas que muitas vezes permanecem desconhecidas do público, embora sejam líderes em seus segmentos.
Os números divulgados durante o evento “Obiettivo Export”, realizado em Bari, também chamam atenção para uma transformação em curso no sul da Itália. Historicamente menos industrializada do que as regiões do norte, a área conhecida como Mezzogiorno concentra quase um terço das empresas italianas, mas ainda responde por menos de 10% das exportações manufatureiras do país.
Especialistas apontam, porém, que esse cenário começa a mudar. Nos últimos anos, o sul italiano registrou crescimento econômico superior à média nacional, impulsionado por investimentos em infraestrutura, logística, turismo, energia e inovação.
Setores como agronegócio, indústria farmacêutica, aeroespacial, automotivo e manufatura avançada vêm ampliando sua presença internacional. Ao mesmo tempo, a posição estratégica dos portos do Mediterrâneo reforça o papel da região como plataforma logística para o comércio entre Europa, África e Oriente Médio.
Para os analistas, o desafio agora é transformar esse potencial em maior participação nas exportações globais. Em um momento de reorganização das cadeias produtivas internacionais e de fortalecimento das relações comerciais entre Europa e América Latina, o sul da Itália surge como uma das regiões observadas com maior atenção por investidores e empresas.
Os dados reforçam uma característica que acompanha a economia italiana há décadas: sua capacidade de competir no mundo por meio da especialização, da inovação e da força de milhares de pequenas empresas que continuam sendo o motor silencioso do crescimento do país.
Motor invisível da economia italiana: PMIs exportam € 280 bilhões por ano

