Férias em pátria ganham força e mudam os planos dos italianos neste verão

Para os italianos, o verão sempre foi sinônimo de férias. A tradicional villeggiatura, costume que durante décadas levou famílias inteiras a passar semanas no litoral, na montanha ou no campo, continua fazendo parte da cultura do país. Mas, em 2026, essa tradição está ganhando novos contornos: mais pessoas viajam dentro da própria Itália e menos escolhem destinos internacionais.

Segundo uma pesquisa da Coldiretti em parceria com o instituto Ixè, divulgada e repercutida pela imprensa nacional, cerca de 36 milhões de italianos devem tirar pelo menos um dia de férias durante o verão europeu. A preferência, porém, recai cada vez mais sobre destinos domésticos, em um movimento impulsionado pela alta dos preços e pelas incertezas geopolíticas internacionais.

O estudo mostra que aproximadamente sete milhões de italianos desistiram de viajar para o exterior e optaram por permanecer dentro das fronteiras nacionais. O principal motivo é econômico. O aumento dos custos das passagens aéreas, da energia e dos serviços turísticos pesa no orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, conflitos internacionais e a instabilidade em algumas regiões do mundo também influenciam as decisões de viagem.

A duração média das férias será de cerca de dez dias, embora existam diferenças significativas entre os viajantes. Muitos optam por estadias curtas, de até uma semana, enquanto apenas uma pequena parcela consegue passar mais de um mês longe de casa.

Quando o assunto é destino, poucas coisas mudam na Itália. O mar continua sendo o grande protagonista do verão, seguido por montanhas, áreas rurais e cidades de arte. Hotéis e bed & breakfasts lideram entre as opções de hospedagem, mas as tradicionais segundas residências e as casas de parentes e amigos seguem desempenhando um papel importante.

Um dos fenômenos mais evidentes deste ano é o fortalecimento do chamado turismo de proximidade. Em vez de viagens longas e internacionais, cresce o interesse por experiências mais próximas, ligadas à natureza, à gastronomia e às tradições locais.

Nesse cenário, o agriturismo italiano vive mais uma temporada de destaque. O país conta com mais de 26 mil propriedades dedicadas a esse tipo de hospedagem, que combina contato com o campo, culinária regional e experiências ligadas à produção agrícola.

O interesse por roteiros enogastronômicos continua liderando as preferências dos viajantes. Visitas a vinícolas seguem entre as atividades mais procuradas, mas ganham espaço também experiências ligadas à produção de azeites, cervejas artesanais, queijos e outros produtos típicos das diferentes regiões italianas.

Além disso, o período coincide com importantes etapas do calendário agrícola, permitindo aos visitantes acompanhar de perto atividades como a colheita de frutas e a safra de grãos, uma forma de turismo cada vez mais valorizada por quem busca experiências autênticas.

Os números indicam que, mesmo diante de um cenário internacional complexo, os italianos não pretendem abrir mão das férias. A diferença é que, neste verão, muitos redescobrem destinos mais próximos de casa e reforçam uma tradição que sempre fez parte da identidade do país: viajar pela própria Itália.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *