As misteriosas Grutas de Pertosa reabrem salas secretas cortadas por rio subterrâneo

No sul da Itália, entre montanhas, vilarejos medievais e paisagens quase intocadas da região da Campânia, existe um lugar que parece saído de um filme de aventura. São as Grutas de Pertosa-Auletta, um dos sistemas subterrâneos mais fascinantes do país, conhecidas por um detalhe raríssimo: são as únicas cavernas italianas atravessadas por um rio subterrâneo navegável.

E agora uma das áreas mais impressionantes desse labirinto natural volta a receber visitantes. A partir de 5 de junho serão reabertas a Sala do Paraíso e a Sala das Esponjas, dois ambientes históricos das grutas que passaram por obras de valorização, monitoramento e renovação do sistema de iluminação.

Localizadas na província de Salerno, não muito longe da Costa Amalfitana e do Parque Nacional do Cilento, as grutas de Pertosa atraem turistas justamente pela experiência diferente da maioria das cavernas europeias. A visita começa dentro de pequenos barcos que percorrem o rio subterrâneo Negro, atravessando galerias escuras e silenciosas antes da exploração a pé das cavernas internas.

O complexo subterrâneo se formou ao longo de milhares de anos através da ação da água sobre as rochas calcárias, criando cenários quase irreais, com estalactites, estalagmites e enormes salões naturais.

Entre os espaços mais aguardados na reabertura está a chamada Sala das Esponjas, famosa pelas formações rochosas porosas moldadas lentamente pela umidade e pelos minerais presentes na água. Já a Sala do Paraíso é considerada uma das áreas mais cenográficas de todo o percurso subterrâneo, graças às dimensões monumentais e ao jogo de luzes naturais e artificiais que transforma o ambiente em um verdadeiro cenário fantástico.

As grutas de Pertosa também têm enorme importância científica e arqueológica. Estudos realizados na região encontraram vestígios de ocupações humanas antiquíssimas, além de estruturas ligadas a povos pré-históricos que utilizavam a área como abrigo e espaço ritual.

A reabertura das duas salas faz parte de um projeto maior da Fondazione MIdA, entidade responsável pela valorização do complexo, que vem investindo na preservação ambiental e em novas experiências turísticas ligadas ao patrimônio natural do sul da Itália.

Nos últimos anos, esse tipo de turismo mais ligado à natureza, à aventura e aos destinos menos conhecidos cresceu muito entre visitantes estrangeiros que procuram descobrir uma Itália além de Roma, Veneza e Florença. E Pertosa-Auletta representa justamente esse outro lado do país: mais selvagem, misterioso e profundamente conectado à paisagem do Mediterrâneo.

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