Viajar durante o verão europeu está pesando cada vez mais no bolso dos italianos. Em apenas dez anos, o preço das passagens aéreas domésticas praticamente triplicou, as tarifas dos ferries quase dobraram e a diária dos hotéis ficou cerca de 69% mais cara. O resultado é que tirar férias continua sendo uma prioridade para muitas famílias, mas a forma de viajar mudou profundamente.
Os dados foram divulgados pelo Corriere della Sera, com base em um levantamento do Centro di Formazione e Ricerca sui Consumi (C.r.c.), elaborado a partir de estatísticas oficiais do ISTAT, o Instituto Nacional de Estatística da Itália.
O maior aumento foi registrado nas passagens de voos nacionais, que acumulam alta de 193,3% desde 2016. As tarifas para destinos europeus também dispararam (+187,1%), enquanto os ferries, muito utilizados para chegar às ilhas italianas como Sardenha e Sicília, ficaram 92,1% mais caros. Até mesmo os voos intercontinentais, embora em ritmo menor, subiram 67,7% no período.
Hospedar-se também custa muito mais do que há uma década. As diárias de hotéis registraram aumento médio de 68,8%, enquanto os pacotes de viagem cresceram 46,4%. Já campings e vilarejos turísticos tiveram reajustes mais modestos, de pouco mais de 22%.
Nem os pequenos prazeres típicos do verão escaparam da inflação. Os tomates ficaram 74% mais caros, seguidos pela alface (41,2%) e pelas frutas frescas (39,8%). Tomar um sorvete também pesa mais no orçamento, com aumento de 36,2%, enquanto água mineral, peixes e bebidas também registraram altas expressivas.
Segundo a análise, vários fatores ajudam a explicar essa escalada dos preços. Depois da pandemia, a demanda por viagens voltou a crescer rapidamente, enquanto a oferta de voos permaneceu limitada em algumas rotas. Somam-se a isso o aumento dos custos operacionais das companhias aéreas e os sistemas de preços dinâmicos, que elevam automaticamente as tarifas nos períodos de maior procura.
Diante desse cenário, os hábitos dos italianos também mudaram. Se antes as férias de verão costumavam durar cerca de onze dias, concentradas principalmente em agosto, hoje cresce a preferência por viagens mais curtas, de três ou quatro noites, distribuídas entre junho, julho e setembro, quando os preços costumam ser mais acessíveis.
Outra tendência é a busca por destinos mais próximos de casa, reduzindo os gastos com transporte. Viajar para o exterior também perdeu espaço: a parcela de italianos que passa as férias de verão fora do país caiu de 25,5% em 2016 para apenas 12% no ano passado, mostrando como o aumento do custo das viagens vem mudando a maneira de aproveitar a estação mais esperada do ano.

