Apesar da crise, o turismo na Itália deve superar 171 milhões de pernoites no verão

Mesmo em meio às tensões internacionais, à inflação e ao aumento dos custos de viagem na Europa, a Itália segue confirmando sua força como um dos destinos mais desejados do verão europeu. Segundo dados divulgados pelo portal GuidaViaggi.it, a expectativa é que o país registre 171,8 milhões de pernoites turísticos entre julho e agosto de 2026.

O dado mostra não apenas resistência do setor, mas também uma mudança importante no turismo internacional: em tempos de instabilidade global, muitos viajantes passaram a privilegiar destinos considerados seguros, acessíveis e com infraestrutura consolidada. E a Itália aparece entre os principais beneficiados desse movimento.

As estimativas do Isnart-Unioncamere indicam crescimento médio de 4,6% em relação ao verão de 2025, impulsionado sobretudo pelos turistas estrangeiros. Sozinha, a demanda internacional deve responder por mais de 89 milhões de pernoites, o equivalente a 52% do total previsto para a temporada.

Entre os mercados que mais crescem aparecem Reino Unido, Estados Unidos e Suíça, além de outros países europeus que continuam vendo a Itália como uma combinação difícil de competir: patrimônio histórico, gastronomia, litoral, montanhas e cidades icônicas conectadas por uma ampla rede ferroviária e aeroportuária.

O levantamento, realizado com 2.500 empresas do setor hoteleiro e turístico, mostra que quase um quarto dos operadores já percebe aumento nas reservas para o verão. Outros 45% falam em estabilidade em relação ao ano passado, cenário considerado positivo diante do atual contexto econômico internacional. Outro dado que chama atenção é o avanço das reservas antecipadas e do mercado extra-hoteleiro, como apartamentos turísticos, casas de temporada e hospedagens independentes. Esse segmento já soma 9,6 milhões de reservas confirmadas para o auge do verão, crescimento de 18,4% sobre 2025.

A chamada “voglia d’Italia” — o desejo de viver a experiência italiana — continua forte. Para muitos turistas, especialmente americanos e europeus, o país oferece uma mistura rara entre cultura, paisagem, estilo de vida e sensação de segurança. Não por acaso, destinos menores e regiões menos tradicionais também vêm crescendo ao lado de cidades clássicas como Roma, Florença e Veneza.

Ao mesmo tempo, o setor acompanha com atenção o aumento dos preços. Restaurantes, hotéis e serviços turísticos seguem mais caros do que nos últimos anos, reflexo da inflação energética e dos custos operacionais mais elevados em toda a Europa. Ainda assim, a Itália entra no verão de 2026 com um cenário considerado amplamente positivo, consolidando o turismo como um dos motores centrais da economia do país.

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