Existe um momento do dia em que o Parmigiano Reggiano começa realmente a nascer: ainda de madrugada, quando o leite entra nos grandes caldeirões de cobre e os mestres queijeiros iniciam um ritual que atravessa séculos da gastronomia italiana. Em maio, turistas e apaixonados por comida poderão ver tudo isso de perto durante a edição 2026 do “Caseifici Aperti”, evento dedicado ao queijo mais famoso da Itália.
A iniciativa, organizada pelo Consórcio do Parmigiano Reggiano e repercutida pelo jornal Il Resto del Carlino, acontece nos dias 23 e 24 de maio e vai abrir ao público 53 queijarias espalhadas pelas regiões históricas de produção do Parmigiano Reggiano.
O evento envolve produtores localizados nas províncias de Parma, Reggio Emilia, Modena, Mantova e Bologna, justamente o território onde o queijo DOP pode ser produzido segundo regras rígidas de origem e tradição.
Durante dois dias, visitantes poderão acompanhar a produção ao vivo, visitar fazendas, entrar nos enormes depósitos de maturação onde milhares de formas descansam por anos e participar de degustações guiadas. O programa inclui ainda harmonizações com vinhos italianos, almoços nas próprias queijarias, abertura tradicional das formas e atividades para crianças e famílias.
A edição deste ano também amplia o lado turístico e cultural do evento. Pela primeira vez, Bologna receberá um “evento off” nos Giardini Margherita, um dos parques mais conhecidos da cidade, com aulas de culinária, apresentações gastronômicas e pratos típicos preparados por cozinheiras tradicionais italianas.
O Caseifici Aperti faz parte de uma estratégia mais ampla do consórcio para transformar o Parmigiano Reggiano não apenas em produto gastronômico, mas também em experiência turística ligada ao território.
Nos últimos anos, o turismo gastronômico cresceu fortemente na Itália, impulsionado pelo interesse internacional em produtos de origem protegida, culinária regional e experiências ligadas à produção artesanal.
O Parmigiano Reggiano ocupa um lugar particularmente simbólico dentro dessa narrativa. Produzido há quase mil anos na Emilia-Romagna, o queijo virou um dos maiores símbolos do Made in Italy alimentar e uma das DOPs mais reconhecidas do mundo.
O processo continua praticamente o mesmo desde a Idade Média: leite cru, sal e coalho natural, sem conservantes ou aditivos, seguido por longos períodos de maturação que podem superar 36 meses.
Além do peso cultural, o setor movimenta bilhões de euros por ano e representa uma das cadeias agroalimentares mais importantes da Itália. O consórcio estima que o turismo ligado às queijarias continua crescendo rapidamente e já supera centenas de milhares de visitantes anuais.
Para muitos turistas estrangeiros, especialmente brasileiros apaixonados pela gastronomia italiana, visitar uma queijaria de Parmigiano Reggiano acabou se transformando quase em uma experiência obrigatória durante viagens pela Emilia-Romagna.
Porque ali, entre o cheiro do leite fresco, os corredores de formas douradas e o ritmo lento da produção artesanal, a Itália consegue transformar um simples queijo em patrimônio cultural, memória e viagem.
Parmigiano Reggiano abre queijarias ao público na Itália em maio

