Montanhas entre Roma e Nápoles viram palco de festival sustentável

Pela primeira vez desde que o evento passou a ser celebrado oficialmente no Lácio, as atividades principais deixam a região de Roma e chegam ao sul da província, transformando cidades como Itri, Formia e Maranola em centro das celebrações ambientais italianas. A informação foi divulgada pelo jornal italiano Latina Oggi.
A programação mistura caminhadas em trilhas naturais, experiências gastronômicas, oficinas criativas, música tradicional, feiras de artesanato e até voos de balão sobre a paisagem montanhosa dos Aurunci, uma cadeia montanhosa localizada entre Roma e Nápoles e com vista para o mar Tirreno.
O evento reflete uma tendência cada vez mais forte na Itália: transformar áreas protegidas e pequenas comunidades em destinos ligados ao turismo sustentável e experiencial. Em vez de concentrar visitantes apenas em cidades superturísticas como Roma, Veneza ou Florença, o país tenta valorizar regiões menos conhecidas, mas extremamente ricas em biodiversidade, cultura local e patrimônio gastronômico.
Os Montes Aurunci representam bem esse movimento. A região reúne vilarejos medievais, trilhas panorâmicas, florestas, antigos caminhos rurais e uma forte tradição ligada à agricultura e à culinária do interior italiano.
Durante os três dias de programação, visitantes poderão participar de excursões ecológicas, degustações de produtos típicos, apresentações de música popular aurunca e atividades voltadas para famílias e crianças. Também haverá espaços dedicados à promoção dos parques naturais do Lácio e encontros institucionais sobre desenvolvimento sustentável e preservação ambiental.
Um dos momentos centrais do evento acontece no sábado, 23 de maio, com um debate sobre políticas ambientais e turismo sustentável que contará com a participação do eurodeputado Nicola Procaccini e do secretário regional de Agricultura e Áreas Protegidas do Lácio, Giancarlo Righini.
Segundo o presidente do Parque dos Montes Aurunci, Vincenzo Fedele, a proposta é mostrar como preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos. A ideia é transformar o parque em um modelo de turismo ligado à biodiversidade, à educação ambiental e à valorização das identidades locais.
A escolha dos Aurunci também revela uma mudança importante na própria imagem turística da Itália. O país começa a investir cada vez mais em destinos ligados ao “turismo lento”, baseado em natureza, gastronomia regional, caminhadas, vilarejos históricos e experiências autênticas fora dos circuitos tradicionais.
Para brasileiros acostumados a imaginar a Itália apenas como grandes cidades históricas, os Montes Aurunci mostram uma outra dimensão do país: uma Itália rural, montanhosa e silenciosa, onde pequenas comunidades tentam transformar patrimônio natural e tradições locais em motor de desenvolvimento sustentável.
