The Social Hub de Roma: em San Lorenzo sopra um ar de Mission District

Há um momento, assim que se atravessa o portão da Viale Scalo San Lorenzo, em que o cérebro dá um curto-circuito. Instintivamente, você procura o aroma salgado da baía, espera o tilintar de um bonde laranja queimado, imagina ver algum jovem de startup com o Mac aberto e um cold brew na mão, sentado em um banco de SoMa. Mas não: você está em Roma. Você está em San Lorenzo, o bairro bem conhecido. E é exatamente esse o truque, ou melhor, o talento, do The Social Hub.

No que foi a Ex Dogana, lugar mítico da vida cultural romana, com um investimento de mais de 114 milhões de euros, o The Social Hub transformou uma área antes cinzenta e burocrática em um distrito multifuncional de nova geração. Não é um hotel, não é um coworking, não é um campus universitário: é tudo isso junto, misturado com a naturalidade de quem entende que o futuro da hospitalidade não se mede em estrelas, mas em conexões humanas.

A entrada já é uma declaração de intenções. O verde entra primeiro, antes mesmo de você procurá-lo: um parque público de dez mil metros quadrados devolvido à cidade como um pulmão aberto a todos, não apenas aos hóspedes pagantes. Dá para ver idosos lendo jornal, estudantes da universidade próxima, que fica a poucos metros, sentados na grama com livros abertos, mães com carrinhos de bebê. É Roma, mas com uma qualidade de ar urbano que você não espera.

Lá dentro, o ambiente é um cruzamento entre um boutique hotel do norte da Europa e um campus californiano. Os 392 quartos do hotel quatro estrelas convivem com espaços de coworking para mais de 160 profissionais, uma academia, uma piscina panorâmica e áreas para eventos. Tudo isso com aquele cuidado com os materiais e aquela luz natural milimetricamente estudada que fazem você pensar imediatamente em certos hotéis do Hayes Valley ou no Proper Hotel da Market Street, em São Francisco.

No andar superior há o terraço. E é lá que Roma retoma a cena com força. A piscina na cobertura oferece uma nova perspectiva sobre o skyline da cidade eterna: cúpulas, antenas, pinheiros em forma de guarda-chuva, o perfil distante do Gianicolo. Senta-se com um Negroni na mão, o bar panorâmico já é um dos lugares mais disputados do bairro, e fica claro que isso não é São Francisco. É melhor.

O público é exatamente o que se espera de um lugar assim: nômades digitais aguardando um voo, estudantes Erasmus que prolongaram a estadia porque não conseguiam se desligar, freelancers romanos que descobriram que seu apartamento na região do Pigneto é barulhento demais para se concentrar, turistas cultos que querem dormir perto da Sapienza em vez do Coliseu. O bairro San Lorenzo, com suas pequenas boutiques, livrarias e cafés, circunda a estrutura com toda a sua energia boêmia. Fora do The Social Hub ainda há murais políticos, pizzarias com letreiros feitos à mão, professores universitários de bicicleta. Aquele DNA de bairro vivo e despojado, no sentido nobre do termo, não foi apagado. Pelo contrário, foi valorizado.

No térreo, além da trattoria que serve do café da manhã ao jantar, abriu também uma unidade da Berberè, a cadeia de pizzarias artesanais que fez da fermentação lenta uma filosofia de vida. Comer uma pizza napolitana revisitada em um edifício dos anos 30 requalificado por uma rede holandesa, no bairro mais universitário de Roma, a dois passos de onde Pasolini ambientava seus romances: todo o curto-circuito cultural da Itália contemporânea, condensado em uma mordida.

Para quem quer ficar mais tempo sem se comprometer com um contrato de aluguel, existe uma assinatura mensal que dá acesso a coworking, academia, piscina e a um calendário de eventos. É a resposta inteligente para uma cidade que sempre teve dificuldade com a vida intermediária, aquela entre turista e residente, e que nunca havia encontrado uma fórmula capaz de realmente acolhê-la.

O The Social Hub Roma San Lorenzo não é gentrificação mascarada de coolness. Ou, pelo menos, tenta com mais consciência do que muitos outros. O edifício histórico dos anos 30 de frente para a Via dello Scalo di San Lorenzo virou o rosto do projeto, e os espaços da antiga Accademia Italiana foram abertos para associações, comitês e realidades culturais do bairro. O diálogo com o território existe e é buscado, não simulado.

No fim, a comparação com São Francisco vale até certo ponto. Porque o The Social Hub tem a estética, o ritmo, a vocação híbrida das grandes cidades da Costa Oeste. Mas tem algo a mais: tem Roma sob os pés. E Roma, como se sabe, transforma tudo o que toca, até mesmo um hotel holandês com piscina na cobertura! 

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