São Paulo vai brindar a Itália durante uma semana inteira. Entre os dias 25 e 31 de maio, vinte restaurantes italianos da capital participam da terceira edição da Settimana del Vino Italiano, evento que transforma a cidade em uma grande viagem pelas regiões vinícolas do Bel Paese.
A proposta vai além de simplesmente servir bons rótulos. Cada restaurante representa uma região italiana diferente e oferece uma seleção especial de vinhos locais harmonizados naturalmente com sua cozinha. Na prática, o público poderá percorrer a Itália taça por taça, do Piemonte à Sicília, passando pela Toscana, Sardenha, Puglia, Veneto e outras regiões históricas da vitivinicultura italiana.
O evento acontece em um momento especialmente simbólico para a gastronomia italiana. Em dezembro de 2025, a UNESCO reconheceu oficialmente a cozinha italiana como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, algo inédito para uma culinária nacional em sua totalidade.
Mais do que um reconhecimento institucional, o título reforçou internacionalmente uma ideia que os italianos defendem há séculos: comida e vinho fazem parte da identidade cultural do país, quase como uma extensão do território e da história local.
É exatamente esse espírito que a Settimana del Vino Italiano tenta trazer para São Paulo.
Em vez de um festival fechado ou técnico, a iniciativa aposta numa experiência mais acessível e cotidiana. Os restaurantes mantêm seus cardápios normais, mas adicionam vinhos representativos de suas respectivas regiões italianas, disponíveis tanto em taça quanto em garrafa.
O resultado é uma experiência que aproxima o público brasileiro da enorme diversidade do vinho italiano, ainda pouco explorada no Brasil quando comparada à força da culinária italiana no país.
A Itália possui mais de 500 castas autóctones oficialmente reconhecidas e lidera o mundo em certificações de origem protegida. Dos Alpes ao Mediterrâneo, cada região produz vinhos com características próprias, ligados ao clima, ao território e às tradições locais.
Mesmo assim, muitos brasileiros ainda associam o vinho italiano apenas a alguns rótulos mais famosos ou ao consumo em ocasiões especiais. O evento paulistano tenta justamente ampliar esse repertório, apresentando desde brancos leves da Sardenha até tintos estruturados do Lazio e vinhos alpinos do Trentino-Alto Adige.
Segundo Graziano Messana, presidente da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo, a iniciativa também ganha importância em um contexto de aproximação econômica entre Europa e Mercosul. “O vinho sempre foi um símbolo de cultura, convivência e aproximação entre os povos”, afirma.
O cônsul-geral da Itália em São Paulo, Domenico Fornara, destaca que o acordo entre União Europeia e Mercosul pode facilitar ainda mais o acesso dos consumidores brasileiros a produtos italianos de excelência. “O vinho na Itália é cultura — e cada taça é como uma pequena viagem pelo território”, afirma.
No fundo, é justamente essa ideia que torna a Settimana del Vino Italiano tão atraente: durante alguns dias, São Paulo deixa de ser apenas uma metrópole brasileira e se transforma em um pequeno mapa afetivo da Itália, onde cada mesa conta uma história diferente do país através do vinho, da comida e da convivência.
São Paulo vira capital do vinho italiano com festival gastronômico

