qua. abr 15th, 2026

Itália reduz abandono escolar a 8,2% e surpreende a Europa

Durante décadas, a evasão escolar foi uma das feridas abertas da Itália. Um país marcado por baixa natalidade, desigualdades regionais e um histórico de jovens que deixavam a escola cedo demais. Mas agora, os números contam uma história diferente, e surpreendente. Dados divulgados pelo Istat mostram que, em 2025, a taxa de abandono escolar caiu para 8,2%, o menor nível já registrado no país.

O resultado não apenas melhora indicadores internos, mas também coloca a Itália à frente de países tradicionalmente considerados referência em educação, como Alemanha e nações do norte da Europa.

Mais do que um avanço estatístico, trata-se de uma virada estrutural. Em 2020, a evasão ainda estava em 14,2%, bem acima das metas europeias. Agora, o país não só atingiu os objetivos do plano nacional de recuperação, como também superou com cinco anos de antecedência a meta de 9% estabelecida pela União Europeia dentro da Agenda 2030.

Esse salto não aconteceu por acaso. Nos últimos anos, políticas públicas focadas em permanência escolar e recuperação de estudantes fora do sistema ganharam força, especialmente nas regiões do sul, historicamente mais vulneráveis. O resultado começa a aparecer de forma concreta: milhares de jovens voltaram às salas de aula e concluíram seus estudos.

Na Campânia, por exemplo, cerca de 8 mil estudantes foram reintegrados ao sistema educacional em um único ano, reduzindo drasticamente os índices locais. A região, que em 2020 registrava níveis próximos a 19%, agora caiu para menos de 10%. Na Calábria, a queda foi ainda mais acentuada, chegando a 6,5%.

O mapa do país ainda revela diferenças. O norte apresenta taxas mais baixas, enquanto regiões como Sicília e Sardenha continuam com índices acima da média nacional. Ainda assim, a tendência geral é de melhora consistente.

Outro ponto importante está no impacto indireto. A redução da evasão escolar ajuda a explicar a queda no número de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados NEET. Em 2025, esse grupo caiu para 13,3%, um avanço significativo em relação aos anos anteriores.

Mas nem tudo está resolvido. A evasão entre estudantes com origem migratória ainda é elevada, acima de 26%, mostrando que a integração continua sendo um desafio central. O governo italiano tem apostado no reforço do ensino da língua e em programas específicos para apoiar esses alunos.

Mesmo com esses desafios, o momento é de mudança. A Itália, que por anos foi vista como um caso crítico na educação europeia, começa a reescrever sua trajetória.
E, talvez pela primeira vez em muito tempo, a escola volta a ser parte do futuro de centenas de milhares de jovens no país.

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