Turismo cultural cresce na Itália, mas visitantes se concentram em grandes destinos

Visitar museus, explorar ruínas romanas e descobrir cidades históricas continua sendo um dos grandes atrativos de uma viagem à Itália. O interesse pelo patrimônio cultural do país cresceu nos últimos anos, mas os visitantes ainda se concentram principalmente nos destinos mais conhecidos. É o que mostra o relatório Bem-estar Equitativo e Sustentável (Bes) 2025, do Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat), que também aponta diferenças significativas nos recursos públicos destinados à cultura.

Em 2024, o número de visitantes de museus, monumentos e sítios arqueológicos foi 30,5% superior ao registrado em 2022 e 8,4% maior do que em 2019, antes da pandemia. A oferta de espaços culturais abertos ao público, porém, ainda não recuperou o nível pré-pandêmico: eram 1,55 estruturas para cada 100 quilômetros quadrados, ante 1,62 em 2019.

Roma, Nápoles e Florença concentram o interesse

O levantamento mostra que o patrimônio cultural italiano não atrai visitantes de maneira uniforme. Quando a análise considera tanto a presença de instituições culturais quanto o número de pessoas que as visitam, o Lácio, região de Roma, lidera o indicador, com 6,79 estruturas ponderadas por 100 quilômetros quadrados. Em seguida aparecem a Campânia, onde fica Nápoles, com 3,53, e a Toscana, cuja capital é Florença, com 2,99.

Essas regiões abrigam alguns dos lugares mais conhecidos do turismo internacional, como o Coliseu e o Fórum Romano, em Roma, as ruínas de Pompeia e os museus e monumentos de Florença. A concentração ajuda a explicar por que parte importante dos fluxos turísticos se dirige a um número relativamente pequeno de destinos.

Isso não significa que faltem atrações em outras partes do país. A Itália tem um patrimônio cultural distribuído por grandes cidades, vilarejos e áreas menos conhecidas, mas a capacidade de atrair público varia consideravelmente entre as localidades. Para quem planeja uma viagem, explorar destinos fora dos circuitos tradicionais pode ser uma forma de descobrir outra dimensão da história e da cultura italianas.

Municípios aumentam os gastos, mas as diferenças persistem

O relatório também destaca a evolução dos investimentos municipais. Em 2024, os gastos correntes dos municípios italianos com cultura chegaram a 23,5 euros por habitante, um euro a mais do que no ano anterior. O valor representa uma recuperação em relação ao mínimo registrado em 2020, quando a pandemia afetou profundamente as atividades culturais.

A média nacional, no entanto, esconde uma disparidade expressiva. Na Campânia, a despesa foi de apenas 6,4 euros por habitante, enquanto na província autônoma de Bolzano chegou a 65,3 euros. Entre as regiões de estatuto ordinário, a Toscana apresentou o maior valor, com 38 euros por habitante.

Essas diferenças ajudam a compreender os desafios de preservar e valorizar o patrimônio cultural para além dos destinos mais populares. A manutenção de museus, monumentos e espaços de exposição depende de recursos, serviços e políticas públicas que variam de um território para outro.

Uma Itália cultural que vai além dos cartões-postais

Os dados mostram que o turismo cultural italiano está em expansão, mas também evidenciam a importância de distribuir melhor as oportunidades de acesso ao patrimônio. Para o visitante brasileiro, isso significa que uma viagem pela Itália pode ir além dos roteiros clássicos de Roma, Veneza e Florença: cidades menores e regiões menos frequentadas também oferecem experiências históricas e artísticas relevantes.

A recuperação do público é um sinal positivo para o setor, mas o desafio permanece: fazer com que o interesse pela cultura alcance mais territórios e que a riqueza histórica do país seja acompanhada por condições adequadas de conservação, acesso e valorização.

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