A Itália costuma ser vista no exterior como um país de classe média ampla, proprietários de imóveis e forte cultura de poupança. Mas os números mais recentes divulgados pelo Banco da Itália mostram uma realidade mais complexa: a riqueza continua altamente concentrada e a desigualdade patrimonial segue crescendo.
Segundo dados os 10% mais ricos das famílias italianas controlam hoje 60,6% de toda a riqueza líquida do país. No extremo oposto, a metade menos favorecida da população possui apenas 7,2% do patrimônio total.
O levantamento refere-se ao quarto trimestre de 2025 e considera a riqueza líquida das famílias, ou seja, o valor de imóveis, aplicações financeiras e outros ativos, descontadas eventuais dívidas.
Ao mesmo tempo, os italianos continuam entre os povos mais patrimonializados da Europa. Em média, cada família possui um patrimônio líquido de 453 mil euros, acima dos 431 mil euros registrados no ano anterior. Grande parte desse crescimento está ligada à valorização dos imóveis e dos ativos financeiros.
Uma curiosidade ajuda a entender uma característica tipicamente italiana: muitas famílias possuem casas herdadas ao longo de gerações e um patrimônio relevante, mesmo quando declaram rendas relativamente modestas. É um fenômeno que diferencia a Itália de vários outros países europeus.
O estudo também mostra diferenças importantes na composição da riqueza. Entre as famílias menos favorecidas, mais de 90% dos ativos estão concentrados na residência própria e em depósitos bancários. Já entre os grupos mais ricos, o patrimônio é muito mais diversificado, incluindo ações, fundos de investimento e outros instrumentos financeiros.
Os especialistas acompanham com atenção outro fenômeno que pode transformar ainda mais esse cenário nos próximos anos: a grande transferência de patrimônio entre gerações. Com uma população envelhecida e um enorme volume de riqueza acumulado pelos mais idosos, a Itália se prepara para uma das maiores ondas de heranças de sua história recente.
Como as famílias têm hoje menos filhos do que no passado, parte desse patrimônio poderá ficar concentrada em um número menor de herdeiros, aumentando ainda mais a concentração de riqueza.
Os números ajudam a explicar por que o debate sobre impostos sobre patrimônio, heranças e desigualdade voltou a ganhar espaço no país. Enquanto a riqueza total continua crescendo, sua distribuição permanece cada vez mais desigual, um desafio que acompanha não apenas a Itália, mas grande parte das economias desenvolvidas.
Riqueza aumenta na Itália, mas patrimônio segue nas mãos de poucos

