O Brasil estará no centro do palco da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026. A ginasta Rebeca Andrade foi escolhida para ser uma das porta-bandeiras olímpicas do desfile inaugural, uma distinção reservada a personalidades que simbolizam os valores universais do esporte. O anúncio foi feito pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em parceria com a Fondazione Milano Cortina 2026, e divulgado pelo site oficial do COI Brasil, confirmando a presença da maior medalhista olímpica da história do país em um cenário tradicionalmente distante da realidade tropical brasileira.
Rebeca conduzirá a Bandeira Olímpica no Estádio San Siro, em Milão, ao lado de outras figuras internacionais selecionadas por trajetórias marcadas por inclusão, diálogo, resiliência e responsabilidade global. Para a atleta, o convite tem um peso especial. “É uma honra e um orgulho enorme receber este convite do COI para fazer parte do Desfile de Abertura dos Jogos de Inverno. É um privilégio participar deste movimento, estar ao lado de atletas do mundo todo, carregar a Bandeira Olímpica, representar o Brasil mais uma vez em um momento tão especial para todos os atletas e amantes do esporte”, afirmou.
A escolha de Rebeca amplia a visibilidade do Brasil em uma edição que será histórica também dentro das arenas esportivas. O país chega a Milão e Cortina com a maior delegação de sua história em Jogos de Inverno, formada por 20 atletas, distribuídos em modalidades como esqui alpino, snowboard, esqui cross-country, bobsled e skeleton. Trata-se de um crescimento expressivo em relação a Pequim 2022 e de um sinal claro de amadurecimento de um projeto esportivo que, aos poucos, vem aproximando o Brasil do alto rendimento em esportes praticados no gelo e na neve.
Mais do que números, há expectativa concreta de resultados inéditos. Alguns atletas brasileiros desembarcam na Itália após temporadas consistentes em circuitos internacionais, com desempenhos que alimentam a esperança de finais e, pela primeira vez, de uma medalha olímpica de inverno para o país. Seria um feito histórico para uma nação que construiu sua identidade esportiva longe das baixas temperaturas e dos cenários alpinos.
A presença brasileira em Milão e Cortina chama atenção justamente pelo contraste. Um país tropical, onde a neve é praticamente inexistente, consegue se inserir em um ambiente dominado por nações com séculos de tradição nos esportes de inverno. Esse avanço não é fruto do acaso. Ele passa por projetos de longo prazo, períodos de treinamento no exterior e, em muitos casos, pelas trajetórias de atletas com dupla cidadania ou raízes familiares na Europa.
Para Rebeca Andrade, a experiência representa também um novo ponto de vista sobre o movimento olímpico. “Esta será uma experiência bem diferente para mim. Nunca pensei que, ainda que por alguns dias, pudesse estar vendo bem de pertinho uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. Estou muito feliz e honrada com a oportunidade”, declarou a ginasta, que já participou de três edições dos Jogos Olímpicos de Verão e mantém atuação ativa em causas como direitos das mulheres, educação e sustentabilidade.
Para o Brasil, os Jogos de Inverno deixam de ser apenas uma participação simbólica. A delegação ampliada, o amadurecimento técnico e a expectativa real de medalha indicam uma virada de página. Em um palco gelado, cercado pelos Alpes e pelas Dolomitas, o país tropical chega mais preparado do que nunca para fazer história, levando consigo não apenas atletas, mas também uma herança cultural que conecta continentes e gerações.
A cerimônia de abertura acontecerá em 6 de fevereiro de 2026, dividida entre Milão e Cortina d’Ampezzo, reunindo esporte, música e performance. Para o Brasil, será mais do que um desfile: será a confirmação de que, mesmo vindo de um país tropical, o sonho olímpico também pode florescer no gelo, impulsionado por talento, diversidade e laços históricos que atravessam o Atlântico.
Rebeca Andrade leva o Brasil ao centro dos Jogos de Inverno Milão-Cortina

