Existem rankings que premiam lugares já conhecidos em todos os cantos do planeta. E existem aqueles que, ao escolher uma pequena cidade menos celebrada, conseguem revelar uma Itália diferente, mais discreta e, talvez justamente por isso, ainda mais fascinante. Foi isso que aconteceu com Praiano.
O pequeno vilarejo da Costa Amalfitana foi escolhido pela revista americana Condé Nast Traveler como o vilarejo mais bonito do mundo, conquistando o primeiro lugar no ranking “The 20 Most Beautiful Towns in the World for Every Type of Traveler”. Atrás de Praiano ficaram Biei, no Japão, e Baños, no Equador. A seleção reúne vinte localidades espalhadas por diferentes continentes, mas é Praiano que ocupa o topo da classificação internacional.
A Condé Nast Traveler é uma das revistas internacionais mais respeitadas no mundo dos negócios de viagens e do turismo de alto padrão. Criada nos Estados Unidos, é conhecida por suas seleções de destinos, hotéis, restaurantes e experiências consideradas entre as mais interessantes do mundo.
Suas reportagens e rankings têm grande influência no setor turístico internacional: aparecer em suas seleções significa conquistar grande visibilidade e prestígio internacional, com potencial impacto importante na reputação de um destino.
A escolha não aconteceu por acaso. A revista americana não valorizou apenas o cenário espetacular da Costa Amalfitana, mas sobretudo aquela dimensão mais íntima que diferencia Praiano das localidades mais conhecidas e movimentadas da região.
Entre Positano e Amalfi, de frente para o mar e agarrada às encostas dos Montes Lattari, Praiano ainda conserva algo de sua antiga identidade de vila de pescadores. Aqui, as ruas se transformam em escadarias, as casas parecem acompanhar a montanha e as tradicionais cerâmicas coloridas aparecem nas fachadas, nos pequenos altares religiosos e nas igrejas, criando uma paisagem profundamente ligada à tradição da Campânia.
O mar, as cerâmicas e a dimensão mais autêntica da Costa Amalfitana
A Condé Nast Traveler escolheu contar Praiano justamente a partir de alguns de seus lugares mais característicos.
Há a Gavitella e Marina di Praia, dois cantos do litoral que representam maneiras diferentes de viver a costa, e há a Igreja de San Gennaro, reconhecida por sua arquitetura e pelas belas cerâmicas que decoram sua cúpula e seu piso.
Mas o verdadeiro elemento que parece ter conquistado a revista americana é outro: a possibilidade de viver a Costa Amalfitana sem ser completamente envolvido pelo turismo de massa.
Praiano fica a poucos minutos de Positano, mas oferece uma atmosfera muito diferente. É mais tranquila, menos exposta e preserva uma dimensão que permite ao visitante desacelerar, caminhar, observar o mar e se deixar surpreender pelos pequenos detalhes da cidade. A Condé Nast Traveler destaca justamente essa capacidade de oferecer as belezas da Costa sem a mesma pressão turística dos centros mais famosos.
E talvez seja justamente aqui que esteja o significado mais interessante desse reconhecimento. Porque Praiano não precisa competir com Positano. Sua força está justamente em ser diferente.
Um reconhecimento que diz respeito a toda a Costa Amalfitana
O primeiro lugar conquistado por Praiano foi recebido com entusiasmo também pelo Distrito Turístico da Costa Amalfitana. O presidente Andrea Ferraioli destacou como a escolha da revista americana colocou em evidência aspectos menos óbvios da Costa, valorizando a identidade do vilarejo e não apenas as imagens mais conhecidas do destino. E esse é um ponto importante.
A Costa Amalfitana não é apenas Positano, Amalfi ou Ravello. É um território formado por pequenas cidades, trilhas, praias, igrejas, terraços, tradições e comunidades que, ao longo dos séculos, construíram uma paisagem que é tanto humana quanto natural.
O reconhecimento internacional de Praiano pode, portanto, ajudar a distribuir a atenção também para aquelas localidades que muitas vezes permanecem em segundo plano diante dos destinos mais fotografados.
O turismo, quando funciona, não deveria se limitar a concentrar milhões de olhares sempre sobre os mesmos lugares. Também deveria ajudar a descobrir aquilo que está logo além do cartão-postal.
E Praiano parece ser exatamente isso: um lugar que não precisa fazer barulho para ser percebido.
Como chegar
Chegar a Praiano é relativamente simples, embora a própria configuração da Costa transforme o deslocamento em parte da experiência.
A partir de Nápoles, é possível pegar a Circumvesuviana na estação Napoli Centrale/Piazza Garibaldi até Sorrento e, de lá, continuar de ônibus da SITA Sud em direção a Positano, Praiano e Amalfi. Outra opção é partir da estação ferroviária de Salerno, pegar um ônibus da SITA Sud até Amalfi e, de lá, seguir em direção a Praiano.
Quem chega de avião pode utilizar o Aeroporto Internacional de Nápoles-Capodichino e seguir até Sorrento pelos serviços de ônibus disponíveis, continuando depois até Praiano pela rede da SITA Sud.
Durante a temporada turística, também é possível utilizar os transportes marítimos. A Travelmar conecta Praiano a Amalfi e, por meio da rede marítima da Costa Amalfitana, a outras localidades como Minori, Maiori, Cetara e Salerno. Os horários podem variar durante a temporada e os serviços marítimos podem ser suspensos em caso de condições meteorológicas desfavoráveis.
De carro, saindo de Nápoles, percorre-se a A3 até a saída de Castellammare di Stabia, seguindo depois em direção à Península Sorrentina e entrando na SS163 Amalfitana. De Salerno, segue-se pela SS163 em direção à Costa Amalfitana. Ao chegar, porém, é melhor esquecer o carro por algumas horas. Praiano merece ser descoberta lentamente.
A pé, pelas escadarias e vielas, observando as casas coloridas, as cerâmicas, os pequenos altares religiosos e o mar que aparece de repente entre um edifício e outro.
O valor de um vilarejo que não perdeu sua identidade
Talvez o verdadeiro prêmio de Praiano não seja apenas ter sido indicada como a cidadezinha mais bonita do mundo. É ter sido escolhida justamente por aquilo que a torna diferente.
Em um momento em que muitos dos destinos mais famosos do Mediterrâneo precisam enfrentar o excesso de turismo, Praiano demonstra que ainda existe outra maneira de viver um destino.
Não necessariamente mais exclusiva, simplesmente mais humana.
Aqui, a beleza não está apenas nas falésias ou no mar. Está na distância entre uma casa e outra, nas escadarias que conectam o vilarejo, nas cerâmicas que contam uma tradição, nas pequenas praias alcançadas por trilhas e degraus e na vida cotidiana de uma comunidade que continua vivendo dentro de uma das paisagens mais famosas da Itália.
E talvez seja exatamente isso que a Condé Nast Traveler tenha enxergado. Não apenas um lugar belíssimo.
Mas um lugar que, apesar da fama da Costa Amalfitana, ainda consegue preservar uma parte de sua própria alma.

