Fiorentina 100 anos: história, títulos e identidade de Florença

Em 29 de agosto de 1926, nascia oficialmente a Fiorentina, a partir da fusão da Polisportiva Giovanile Libertas com a seção de futebol do Club Sportivo delle Cascine. À frente do projeto estava o marquês Luigi Ridolfi, primeiro presidente do clube e uma figura destinada a deixar uma marca profunda não apenas na história da Viola, mas também no desenvolvimento do esporte em Florença.

Foi ele quem levou a Fiorentina à Serie A e vinculou o destino do novo clube ao Campo di Marte, onde seria construído o grande estádio projetado por Pier Luigi Nervi, que se tornaria um dos símbolos da cidade.

A história esportiva da Fiorentina começou assim a se entrelaçar rapidamente com a de Florença. Depois da primeira promoção à Serie A na temporada 1931-32 e do rebaixamento em 1938, a equipe voltou imediatamente à elite e, em 1940, conquistou sua primeira Copa da Itália, o primeiro grande troféu de sua história. A camisa, inicialmente branca e vermelha, havia assumido definitivamente o violeta, que se transformaria na cor de uma cidade inteira.

O primeiro grande capítulo europeu chegou nos anos 1950. Em 1956, a Fiorentina conquistou seu primeiro Scudetto, entrando em uma dimensão completamente nova. Um ano depois, na temporada 1956-57, tornou-se o primeiro clube italiano a chegar à final da Copa dos Campeões, a atual UEFA Champions League.

No Santiago Bernabéu, em 30 de maio de 1957, a Fiorentina enfrentou o Real Madrid de Alfredo Di Stéfano e Francisco Gento diante de mais de 120 mil espectadores. A partida terminou 2 a 0 para os espanhóis, mas aquela final marcou uma virada histórica para o futebol italiano e para o jovem clube viola.

A Fiorentina continuaria a construir sua história através de uma coleção de troféus que inclui dois Scudetti, conquistados em 1955-56 e 1968-69, seis Copas da Itália, vencidas em 1939-40, 1960-61, 1965-66, 1974-75, 1995-96 e 2000-01, além da Recopa Europeia conquistada em 1960-61 e da Supercopa Italiana de 1996. São vitórias que atravessaram épocas diferentes, presidentes, gerações de jogadores e profundas transformações da cidade.

Mas reduzir a Fiorentina à sua sala de troféus seria justamente a maneira mais simples de não compreender sua história.

Florença não é uma cidade que abriga um time; é uma cidade que é o seu time. A ligação entre o lírio e seus habitantes se parece com um diálogo ininterrupto, um fio estendido que atravessa um século de história, transformando o futebol em um elemento fundador da identidade social. O aniversário de 1926-2026, portanto, não é uma simples comemoração estatística, nem um inventário frio de troféus a serem tirados da poeira, mas um rito coletivo que toca a própria alma de um povo. É a história de uma trajetória compartilhada que se prepara para celebrar seu primeiro século de vida como um ato de amor às próprias raízes, demonstrando que o centenário diz respeito à carne e ao sangue de Florença muito mais do que aos simples resultados esportivos.

Enquanto o mundo do esporte frequentemente celebra os campeões, a Fiorentina escolheu voltar as lentes para as arquibancadas. A exposição “Cent’anni di Fiorentini. Dentro e fuori lo stadio”, realizada no prestigioso Cortile di Michelozzo, no Palazzo Vecchio, entre 23 de agosto e 13 de setembro, representa perfeitamente essa filosofia. Por meio de treze preciosas obras fotográficas extraídas do imenso patrimônio do Archivio Foto Locchi, o clube não expõe taças, mas uma verdadeira “geografia humana”. É uma viagem que analisa a transformação da sociedade florentina dos anos 1930 até hoje, observando como os costumes, as posturas e os rituais coletivos mudaram ao longo das gerações.

“Há histórias que pertencem a um time e histórias que pertencem a uma cidade. A da Fiorentina, há cem anos, é as duas coisas. As fotografias contam uma Florença que mudou ao longo do tempo, mas que continuou a se reconhecer no violeta. Esse é o valor da memória: reencontrarmo-nos, através de imagens de ontem, dentro de uma história que ainda sentimos como nossa”, declara à imprensa italiana a prefeita de Florença, Sara Funaro.

Neste “contracampo” da história oficial, o povo viola deixa de ser figurante para se tornar o único e verdadeiro protagonista de um século de paixão. Como destacou o presidente Giuseppe B. Commisso, “os verdadeiros protagonistas do nosso século de história são justamente os florentinos, que ano após ano contribuíram para construir a identidade do clube”.

O centenário é feito de símbolos, e poucos nomes evocam a sacralidade do futebol florentino como Roberto Baggio. No dia 2 de setembro, o Estádio Artemio Franchi abrirá seus portões para uma “noite irrepetível”: o evento “Operazione Nostalgia Legends vs Fiorentina All Stars”. O retorno do “Divin Codino” ao gramado onde floresceu representa o fechamento de um círculo afetivo que nunca deixou de pulsar. Ver Baggio novamente ao lado de Gabriel Omar Batistuta, o “Rei Leão”, não é apenas uma operação nostalgia, mas uma ponte geracional fundamental que une aqueles que viram essas lendas ao vivo e aqueles que apenas ouviram contar seus feitos, consolidando a memória coletiva do clube.

O sentimento de pertencimento que descrevemos não vive apenas de lembranças, mas se traduz em uma participação física impressionante. A campanha de ingressos para a temporada 2026/27 já deu seu veredito: “Tudo Esgotado”. Exatamente 14.556 torcedores decidiram garantir sua presença antes mesmo de as celebrações oficiais começarem. Esse número não é simplesmente um indicador de capacidade, mas um certificado de fé e pertencimento: 14.556 pessoas que escolheram estar presentes no momento em que a história completa sua volta ao redor de um século, homenageando uma camisa que é, antes de tudo, um símbolo de bairro e de cidade.

Campo di Marte e o Estádio Franchi são, no panorama urbano florentino, coordenadas afetivas indispensáveis. O Archivio Foto Locchi um tesouro protegido pelo Ministério da Cultura que guarda mais de cinco milhões de fotografias nos permite redescobrir o ritual do domingo como uma experiência que transcende os noventa minutos de jogo. Erika Ghilardi, responsável pelo Arquivo, descreve magistralmente essa capacidade das imagens de «transformar a crônica em memória compartilhada». Das partidas agitadas dos bairros nos anos 1930 aos bondes lotados, passando pelas transformações urbanísticas do boom econômico, a arquitetura icônica do Franchi se inscreveu na paisagem da cidade do século XX, tornando-se o cenário de laços familiares transmitidos de pai para filho.

O apito inicial oficial das celebrações em campo está marcado para sábado, 29 de agosto de 2026, às 18h30, quando a Fiorentina enfrentará o Frosinone pela segunda rodada da Serie A. A corrida pelos ingressos seguirá um protocolo de paixão bem definido: a Fase 1 começará em 18 de agosto para os titulares do InViola Premium Card, seguida pela Fase 2 de venda geral a partir de 20 de agosto. Para os retardatários de última hora, em 29 de agosto, a partir das 9h00, terá início a Fase 3 com as tarifas “Match Day”. Será um dia especial não apenas pelo jogo, mas também pelo que acontecerá após o apito final: as celebrações oficiais do Centenário acontecerão “depois da partida”, transformando a noite em um abraço infinito entre a cidade e suas cores.

Enquanto a poeira dourada das antigas fotografias do Archivio Locchi repousa sobre a modernidade de vanguarda do Viola Park, o centenário da Fiorentina nos lembra que fazemos parte de um fluxo que não se interrompe. É uma celebração que homenageia aqueles que estavam lá nos anos 1930 e aqueles que hoje, com o número de sócio 14.556 no bolso, olham para o amanhã. Somos guardiões de um patrimônio que é ao mesmo tempo esportivo e civil, uma história escrita não apenas pelos campeões, mas por cada indivíduo que viveu a partida como uma experiência coletiva.

Marco Lodola, um dos mais conhecidos artistas contemporâneos italianos, é o autor de uma das duas obras encomendadas pela Fiorentina para os cem anos do clube. A pedido da Fiorentina, antes do verão, ele havia entregue uma escultura em seu estilo: «O tema e a pessoa a quem ela foi dedicada é Rocco Commisso, a obra é intuitiva, muito luminosa».

A instalação deveria ser exposta no Piazzale Michelangelo a partir de 24 de agosto, juntamente com uma mega inscrição de 18 metros de altura que, em letras gigantes, compõe a palavra “V100LA”.

A três dias da data prevista e a dois dias do centenário, nenhuma das duas obras está exposta e existe o risco concreto de que não fiquem prontas a tempo. A razão da paralisação é a Soprintendenza, que teria manifestado dúvidas sobre os dois trabalhos. O clube não desiste e informa: «Junto com o Palazzo Vecchio estamos conversando com a Soprintendenza para conseguir chegar a um acordo para a exposição no Piazzale Michelangelo, sem precisar encontrar um local alternativo».

A escolha do Piazzale Michelangelo havia sido feita em conjunto com a Prefeitura, que, em uma resolução de 11 de agosto, havia concedido o espaço. O que teria atrasado o procedimento de autorização seria uma demora na apresentação do pedido. Mas, quanto às responsabilidades, existe uma troca de acusações entre a Prefeitura e a Viola.

A resolução esclarece que «os encargos para obter as autorizações necessárias» são de responsabilidade da ACF, enquanto o Palazzo Vecchio considera a questão exclusivamente uma relação entre a Fiorentina e a Soprintendenza. O clube sustenta que o pedido foi encaminhado pela Prefeitura. O local havia sido escolhido como «o lugar ideal pelo espaço e pela visibilidade».

Enquanto isso, as obras que estão em posse do clube continuam procurando um espaço e, caso não haja acordo, a ideia poderia ser antecipar sua destinação final para o Viola Park, já prevista para depois de 30 de setembro. Seria justamente o caráter provisório das instalações um dos elementos no centro das conversas com a Soprintendenza.

Cem anos depois daquele 26 de agosto de 1926, a Fiorentina se encontra, assim, celebrando não apenas a própria história, mas também aquela parte de Florença que há um século se reconhece no violeta. Dos primeiros passos de Ridolfi à final europeia de 1957, dos Scudetti às Copas, de Batistuta a Baggio, até as crianças que hoje entram no Franchi com a camisa viola sobre os ombros, o fio nunca se rompeu.

Porque a Fiorentina pode ter tido presidentes, campeões, treinadores e gerações diferentes. Florença, porém, sempre permaneceu ali. E talvez seja justamente esse o significado mais profundo do centenário: não celebrar simplesmente cem anos de futebol, mas cem anos de pertencimento.
A Camisa de Jogo do Centenário da Fiorentina celebra os 100 anos de história do Clube por meio de um design que olha para as origens. O uniforme retoma as cores da primeira camisa usada pela Fiorentina em 1926, nascida da união entre o Club Sportivo Firenze e a Palestra Ginnastica Fiorentina Libertas, reinterpretando o branco e o vermelho em uma versão comemorativa dedicada ao Centenário.

O design ganha ainda mais destaque com a gola preta e uma trama jacquard que incorpora ao tecido o número 100, reinterpretado como símbolo do infinito. No peito, retorna o histórico escudo de 1926, com o lírio vermelho dentro do escudo branco em formato de gota, enquanto na manga esquerda aparecem 13 lírios em relevo. O símbolo do infinito também está presente na parte interna da gola, completando os detalhes dedicados aos cem anos da Viola.

Para tornar o uniforme ainda mais especial, a camisa é confeccionada em poliéster reciclado e conta com a tecnologia Micro-Mesh System, aplicada nas áreas de maior transpiração para aumentar a ventilação e proporcionar maior sensação de conforto durante o uso. É uma peça pensada não apenas como item comemorativo, mas também com características técnicas voltadas para o desempenho esportivo.

A Camisa de Jogo do Centenário foi produzida em uma edição extremamente limitada de apenas 1.926 unidades, número escolhido justamente para remeter ao ano de fundação da Fiorentina. Cada camisa também conta com uma patch de identificação especial dedicada ao Centenário e é apresentada dentro de uma caixa comemorativa exclusiva, transformando o uniforme em um verdadeiro objeto de coleção.

A Camisa do Centenário da Fiorentina foi colocada à venda em edição limitada e conquistou imediatamente os torcedores. As 1.926 unidades produzidas foram totalmente vendidas em poucos dias, e a camisa já não está mais disponível para compra. A rápida procura transformou a peça comemorativa em um verdadeiro item de coleção, reforçando o significado especial de uma camisa criada para celebrar os 100 anos da Fiorentina.

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