A proclamação do Jubileu de 2033 insere-se numa perspetiva teológica, histórica e pastoral de extraordinária relevância para a Igreja Católica. Não se trata de um Jubileu “ordinário”, mas de um Jubileu extraordinário ligado a uma data fundacional: o bimilenário da Redenção, tradicionalmente situado no ano 33 d.C., data da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Do ponto de vista do Vaticano, 2033 representa uma fronteira simbólica universal, comparável, em alcance espiritual, ao Grande Jubileu do ano 2000. Se este último marcou a passagem para o terceiro milénio cristão, o Jubileu de 2033 pretende reconduzir o centro da reflexão eclesial ao acontecimento originário da fé, reafirmando o núcleo da mensagem evangélica: redenção, misericórdia e esperança.
As motivações teológicas
A primeira motivação é eminentemente cristológica. Celebrar dois mil anos da Redenção significa reafirmar o papel de Cristo como eixo da história e da experiência humana. Num mundo marcado por conflitos, secularização e crise antropológica, a Igreja propõe o Jubileu de 2033 como um tempo forte de reconciliação, de conversão pessoal e de redescoberta do sentido último da existência.
As motivações pastorais
No plano pastoral, o Jubileu de 2033 responde à necessidade de dialogar com uma geração globalizada, mas fragmentada, muitas vezes distante das linguagens tradicionais da fé. O Vaticano pretende promover um Jubileu difundido, não limitado à Cidade do Vaticano, mas vivido nas Igrejas locais, nos lugares de sofrimento e nas periferias sociais e existenciais. O objetivo é recolocar a Igreja “em saída”, segundo a visão pastoral que caracteriza o pontificado do Papa Francisco.
As motivações históricas e geopolíticas
Não deve ser subestimada a dimensão histórica e geopolítica da proclamação. O Jubileu de 2033 insere-se num contexto global marcado por profundas transições: novos equilíbrios de poder, crises ambientais, revoluções tecnológicas e rápidas transformações culturais. Neste cenário, a Santa Sé utiliza o Jubileu como instrumento de soft power moral, reafirmando o seu papel de consciência ética global e de promotora do diálogo entre povos, religiões e culturas.
Uma Igreja que regressa ao essencial
Em síntese, o Jubileu de 2033 não nasce para celebrar um aniversário em sentido meramente comemorativo, mas para relançar o cristianismo das origens numa chave contemporânea. É um convite a regressar ao essencial, a Cristo, e a propor a fé como resposta credível às inquietações do nosso tempo. Por isso, no Vaticano, 2033 já é percecionado como um dos momentos espirituais mais decisivos do século XXI. Por MF

