Na Itália, sair da casa dos pais antes dos 30 anos ainda é exceção, enquanto no Brasil o cenário é bastante diferente. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na Itália 79% dos jovens entre 20 e 29 anos continuam morando com os pais. O país só fica atrás da Coreia do Sul, onde o índice chega a 82%. A média da OCDE gira em torno de 50% e, na União Europeia, cerca de 55%. Enquanto isso, no Brasil, entre os jovens adultos de 25 a 34 anos, apenas cerca de 25% ainda vivem com os pais.
O levantamento, citado pelo jornal econômico Il Sole 24 Ore, mostra que a Itália está entre os sete países onde mais de 70% dos jovens permanecem com os pais. Ao lado dos italianos estão Espanha, Grécia, Eslováquia, Polônia e Eslovênia. No extremo oposto aparecem Dinamarca, com apenas 12%, Finlândia com 14%, e Noruega e Suécia com cerca de 22%. Alemanha registra 33% e França, 44%, números muito abaixo do cenário italiano.
O principal obstáculo é econômico. O custo da moradia pesa no orçamento e influencia decisões. De acordo com o mesmo documento da OCDE apresentado à Comissão de Habitação do Parlamento Europeu, 60% dos jovens italianos entre 18 e 24 anos temem não conseguir encontrar uma casa adequada nos próximos dois anos. Apenas Grécia e Espanha apresentam índices mais altos, acima de 70%.
O mercado de trabalho também influencia. Embora o emprego na Itália tenha alcançado o nível mais alto dos últimos vinte anos, com taxa geral próxima de 62% segundo o Istat, o crescimento não beneficiou igualmente todas as faixas etárias. Entre os jovens de 25 a 34 anos houve retração no final de 2025, o que dificulta a autonomia financeira.
Mas a explicação não é apenas econômica. A cultura familiar italiana, tradicionalmente forte, também desempenha papel relevante. Em muitos casos, mesmo jovens que poderiam se sustentar optam por permanecer com os pais, seja pela proximidade emocional, seja por um modelo de convivência que valoriza a vida familiar prolongada.
Para o público brasileiro, acostumado a sair de casa mais cedo em grandes centros urbanos, o dado pode surpreender. No Brasil, pesquisas indicam que o número de jovens adultos de 25 a 34 anos que ainda moram com os pais vem crescendo nas últimas décadas, com estudos mostrando que essa proporção passou de cerca de 20 % para mais de 24 % entre 2004 e 2013, reflexo de desafios econômicos e também de mudanças sociais no país .
Na Itália, porém, morar com os pais até os 30 anos não é visto necessariamente como fracasso, mas como parte de uma dinâmica social onde família, segurança e estabilidade caminham juntas.
Na Italia, 79% dos jovens italianos vivem com os pais até os 30 anos. O Brasil vai na contramão.

