Líderes da oposição italiana denunciam interferência dos EUA no Brasil e pedem voto pela democracia

O documento, intitulado “Apelo pelo Brasil: pela democracia, pela justiça social e ambiental”, expressa preocupação com o contexto em que a campanha eleitoral está sendo realizada. Os signatários citam a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de prorrogar por um ano o estado de emergência nacional contra o Brasil, declarado em julho de 2025, além da aplicação de tarifas comerciais punitivas.
Os líderes italianos também criticam a possibilidade de funcionários do Departamento de Estado dos EUA viajarem ao Brasil para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral. Outro episódio mencionado é o bloqueio repentino da página do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Facebook, poucos dias antes da votação.
Segundo os signatários, as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano ignoram a tentativa de golpe de Estado no Brasil, cujos responsáveis foram julgados e condenados pela Justiça. O comunicado condena o que classifica como interferências externas e afirma que cabe exclusivamente aos brasileiros decidir o futuro político do país.
O texto também destaca medidas adotadas pelo governo Lula no combate à fome, na defesa da Amazônia e na promoção da cooperação internacional e da justiça social. Para os representantes italianos, essas conquistas estão em risco e dependem da continuidade das políticas voltadas à redução da desigualdade e da pobreza.
Por isso, o apelo é dirigido não apenas aos brasileiros que vivem no país, mas também à comunidade brasileira residente na Itália e à comunidade ítalo-brasileira. A mensagem é direta: participar da votação é uma forma de defender a democracia e decidir os rumos do Brasil.
O comunicado é assinado por Angelo Bonelli, porta-voz nacional da Aliança Verde e de Esquerda; Giuseppe Conte, presidente do Movimento Cinco Estrelas; Nicola Fratoianni, secretário da Esquerda Italiana, integrante da Aliança Verde e de Esquerda; e Elly Schlein, secretária do Partido Democrático.
Os quatro dirigentes manifestam apoio à renovação da confiança em Lula para que ele dê continuidade às políticas sociais e ambientais que atribuem ao atual governo. O documento encerra com uma mensagem que relaciona o futuro brasileiro à defesa da democracia: “Defender a democracia brasileira significa defender a democracia para todos”.
