Lavazza lidera ranking das melhores empresas para trabalhar na Itália em 2027

Quem trabalha em uma empresa sabe que salário e benefícios são apenas parte da história. Ambiente, possibilidade de crescimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e confiança na organização também pesam na hora de avaliar um emprego. Na Itália, uma pesquisa com centenas de empresas mostra quais companhias e instituições receberam as melhores avaliações de seus próprios funcionários.

A Lavazza ficou novamente em primeiro lugar no ranking Italy’s Best Employers 2027, elaborado pela Statista a partir de cerca de 300 mil respostas coletadas por meio do Corriere.it. A empresa do setor alimentício recebeu a nota máxima, 10, e repetiu a liderança do ano anterior. As informações são do Corriere della Sera.

Na segunda posição aparece outra empresa ligada à tradição alimentar italiana, a De Cecco, enquanto a terceira colocação ficou com a FinecoBank. A lista reúne empresas privadas e instituições públicas de áreas bastante diferentes.

Entre as dez primeiras estão ainda a Fondazione IRCCS Istituto Nazionale dei Tumori, Gabetti, Accademia delle Belle Arti di Napoli, Banca d’Italia, Roche, Thales Alenia Space e Google, que aparece na décima colocação.

A pesquisa chega à sua sétima edição e procura justamente dar voz aos funcionários. Foram avaliadas 450 empresas com pelo menos 250 empregados. A participação foi voluntária e anônima, e os participantes atribuíram notas de zero a dez à própria organização e a outras empresas do mesmo setor.

Uma das perguntas centrais foi se o funcionário recomendaria sua empresa a um conhecido ou familiar. As respostas de pessoas que trabalham na organização e de participantes externos receberam pesos diferentes na metodologia utilizada pela Statista.
O resultado permite observar também algumas das principais preocupações presentes no mercado de trabalho italiano em 2026. Entre elas está o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, além da dificuldade das empresas para atrair e manter profissionais qualificados.

Mas há um tema novo ocupando cada vez mais espaço: a inteligência artificial.
IA muda o trabalho, mas não elimina a importância das pessoas

Para Valerie Schena Ehrenberger, CEO da Valtellina Lavoro e presidente da Ecssa, a expansão da IA não significa necessariamente redução do emprego, mas uma transformação das funções. “La presenza ormai capillare dell’Ai nella routine aziendale non azzera l’occupazione ma riorganizza le mansioni assorbendo attività ripetitive per lasciare spazio alla progettualità”.

Nesse cenário, a executiva destaca a importância de características que a tecnologia não consegue substituir facilmente, como empatia, pensamento crítico e criatividade. Segundo ela, as empresas que aparecem entre as melhores empregadoras mostram que cuidar das pessoas e do ambiente de trabalho pode ser também um investimento em produtividade.

A mesma preocupação aparece na avaliação de Tomaso Mainini, CEO da Michael Page. Para ele, em um mercado transformado rapidamente pela inteligência artificial, o diferencial não está apenas na tecnologia, mas na capacidade das empresas de acompanhar seus funcionários durante as mudanças.

Formação contínua, comunicação clara e desenvolvimento profissional aparecem, assim, entre os fatores capazes de aumentar a confiança dos trabalhadores.
Outro ponto destacado é a transparência salarial. Com a nova regulamentação europeia sobre o tema, as empresas são pressionadas a explicar melhor critérios de remuneração e progressão profissional desde as primeiras etapas de contratação.

No fim, o ranking mostra uma mudança interessante na maneira como o trabalho é avaliado. Ter flexibilidade e benefícios continua importante, mas os trabalhadores também procuram sentir que fazem parte de um projeto profissional coerente e que a empresa cumpre aquilo que promete.

E, em uma época em que a inteligência artificial está transformando rapidamente os escritórios, fábricas e serviços, talvez a conclusão mais simples seja justamente essa: as empresas continuam sendo feitas por pessoas — e são elas que decidem onde vale a pena trabalhar.
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