
A pobreza relativa também se manteve praticamente inalterada. Cerca de 8,7 milhões de pessoas, distribuídas por mais de 2,8 milhões de famílias, estavam nessa condição em 2025. A incidência foi de 14,8% entre os indivíduos e de 10,8% entre as famílias.
A pobreza absoluta é calculada com base nos recursos necessários para adquirir bens e serviços considerados essenciais. Já a pobreza relativa mede a condição econômica em comparação com o padrão de vida da população. Os dois indicadores ajudam a dimensionar tanto a privação material mais grave quanto as dificuldades de famílias que vivem com recursos significativamente inferiores aos padrões de referência.
As diferenças regionais continuam marcantes. No sul da Itália e nas ilhas, a pobreza absoluta atinge mais de 11% da população. Entre as famílias, a incidência chega a 9,6% no Mezzogiorno, região que reúne o sul do país e parte das ilhas. No noroeste, o índice é de 7,7%; no nordeste, de 7,4%; e no centro, de 6,3%.
A idade também faz diferença. Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis: 12,5% dos menores de idade viviam em pobreza absoluta em 2025, somando aproximadamente 1,136 milhão de pessoas. Entre jovens de 18 a 34 anos, a taxa era de 12,1%. O índice cai para 8,9% entre adultos de 35 a 64 anos e para 6,1% entre pessoas com mais de 65 anos.
O tamanho da família é outro fator de risco. A pobreza absoluta alcança 19,2% dos domicílios com cinco ou mais integrantes e 10,5% daqueles com quatro pessoas. Entre casais com três ou mais filhos, a taxa chega a 16,9%. Nas famílias monoparentais, o índice é de 11,5%.
Os dados do Istat mostram uma relação direta entre escolaridade e vulnerabilidade econômica. Quando a pessoa de referência da família tem ensino médio completo ou formação superior, a incidência de pobreza absoluta é de 4,4%. Entre famílias cuja principal referência tem, no máximo, o ensino fundamental, o índice sobe para 11,9%; no caso de escolaridade limitada ao ensino primário, chega a 12,3%.
Ter emprego também não garante proteção contra a pobreza. Entre famílias cuja pessoa de referência trabalha como assalariada, a incidência é de 8,5%, mas sobe para 14,3% quando se trata de operários e trabalhadores de ocupações semelhantes. Nas famílias cuja principal referência está desempregada, o índice chega a 20,7%.
Uma das diferenças mais expressivas aparece quando os dados são separados pela cidadania dos integrantes da família. A pobreza absoluta atinge 5,9% dos domicílios compostos exclusivamente por italianos. O percentual sobe para 26,7% nas famílias com pelo menos um estrangeiro e chega a 29,4% naquelas formadas apenas por pessoas de outras nacionalidades.
A disparidade também é forte entre famílias com menores de idade. Nesses domicílios, a incidência é de 7,8% quando todos os integrantes são italianos, contra 27,8% quando há pelo menos um estrangeiro e 31,4% quando a família é composta exclusivamente por estrangeiros.
Apesar da estabilidade do quadro geral, o Istat identificou algumas melhorias pontuais. Nos municípios com até 50 mil habitantes, excluídas as áreas periféricas metropolitanas, a incidência de pobreza absoluta caiu de 8,9% em 2024 para 7,4% em 2025. Entre crianças de 7 a 13 anos, o índice recuou de 14,9% para 12,1%.
Os avanços, porém, não alteram o retrato geral: milhões de pessoas continuam sem recursos suficientes para cobrir necessidades básicas, com crianças, famílias numerosas, pessoas com baixa escolaridade e domicílios com integrantes estrangeiros entre os grupos mais expostos.
