Itália presta homenagem aos ‘pracinhas’, os mortos da Força Expedicionária Brasileira

Hoje, 11 de setembro de 2026, foi realizada uma cerimônia em homenagem aos mortos da Força Expedicionária Brasileira no aeroporto de Tarquinia, em Roma. Um dia marcado pela memória e pelo vínculo histórico entre Itália e Brasil. Civitavecchia, cidade portuária italiana da província de Roma, vestiu-se com as cores brasileiras, reforçando mais uma vez os laços históricos e humanos entre os dois países. O capitão de mar e guerra Cosimo Nicastro, juntamente com toda a Capitania dos Portos, recebeu as autoridades presentes à cerimônia: o prefeito de Civitavecchia, Marco Taglienti, o coronel brasileiro Rodrigo Coutinho Ferreira, adido de Defesa da Embaixada do Brasil na Itália, e o primeiro-marechal Mourão de Oliveira.

Às 16 horas, no horário italiano, foi realizada, no aeroporto, a cerimônia de deposição das coroas de flores, em homenagem aos mortos da FEB e ao sacrifício dos militares brasileiros que combateram na Itália. A programação terminou a bordo do navio-escola brasileiro Brasil U27, atracado no cais 13 de Civitavecchia. Uma homenagem necessária àqueles que perderam a vida lutando por ideais de liberdade e fraternidade. Uma iniciativa que não olha apenas para o passado, mas que também contribui para fortalecer, no presente, os laços históricos e de amizade entre Itália e Brasil.

A Força Expedicionária Brasileira que combateu na Itália

A Força Expedicionária Brasileira (FEB) representou a participação militar direta do Brasil na guerra contra as potências do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de 25 mil brasileiros foram enviados à Itália para lutar ao lado dos Aliados, em uma campanha que levou os soldados brasileiros a enfrentar as tropas alemãs ao longo dos Apeninos e no norte da Itália. A FEB foi criada em agosto de 1943, sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais, depois que o Brasil decidiu entrar diretamente no conflito. A mudança de posição havia ocorrido em 1942, quando diversos navios mercantes brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães e italianos, provocando centenas de mortes. O Brasil declarou então guerra às potências do Eixo e começou a preparar sua força expedicionária.

Em julho de 1944, os primeiros contingentes partiram para a Itália. Ao todo, o Brasil enviou 25.334 homens e mulheres, incluindo 67 enfermeiras, enquanto a força de combate estava principalmente reunida na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. Os brasileiros foram integrados ao dispositivo militar aliado e enfrentaram uma campanha nada simples, marcada por montanhas, neve, condições climáticas difíceis e posições alemãs fortificadas. Entre os episódios mais importantes da participação brasileira na guerra esteve a conquista de Monte Castello, em 21 de fevereiro de 1945, depois de várias tentativas anteriores. A vitória tornou-se um dos símbolos da presença brasileira na Itália e permitiu aos Aliados prosseguir em sua ofensiva em direção ao norte. Poucas semanas depois, vieram outras operações decisivas, entre elas a conquista de Montese e as ações na região de Fornovo di Taro, onde as forças brasileiras contribuíram para a rendição de importantes unidades alemãs.

Foi justamente em torno da FEB que surgiu um dos símbolos mais curiosos da história militar brasileira: “A cobra está fumando”. A expressão era uma resposta irônica àqueles que, antes da entrada do Brasil na guerra, afirmavam que seria mais fácil ver uma cobra fumar do que soldados brasileiros combatendo na Europa. A frase acabou se tornando o lema da FEB, e a imagem da cobra com o cachimbo passou a fazer parte do emblema oficial da força expedicionária. O preço pago, porém, foi alto. Centenas de militares brasileiros perderam a vida durante a campanha italiana; as fontes apresentam números diferentes dependendo dos critérios utilizados para a contagem, com uma estimativa de aproximadamente 470 mortos. A FEB deixou, assim, uma marca importante na história da Segunda Guerra Mundial e também nas relações entre Brasil e Itália, onde ainda hoje diversos lugares lembram a passagem dos chamados pracinhas, os soldados brasileiros da força expedicionária.

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