Itália entra em alerta máximo: 15 cidades em risco vermelho e calor de até 45°C

O verão italiano entra em sua fase mais delicada. Depois de duas ondas intensas de calor nas últimas semanas, uma nova massa de ar quente vinda do Norte da África voltou a elevar as temperaturas em praticamente todo o país. Entre quinta e sexta-feira, algumas áreas do interior da Sardenha podem registrar até 45°C, enquanto diversas cidades entram em alerta máximo por risco à saúde.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde italiano colocará 15 cidades em alerta vermelho, o nível mais alto previsto para ondas de calor. Isso significa que as temperaturas representam risco para toda a população, inclusive pessoas jovens e saudáveis. Estão nesse nível Bolonha, Brescia, Cagliari, Campobasso, Florença, Frosinone, Gênova, Latina, Palermo, Perugia, Pescara, Rieti, Roma, Turim e Viterbo.

Para quem está viajando pela Itália, vale a pena acompanhar diariamente os boletins meteorológicos e, se possível, reorganizar os passeios para evitar as horas mais quentes do dia.

A situação vai além do desconforto. O calor extremo vem atingindo boa parte da Europa e já produz efeitos preocupantes. Dados da rede europeia EuroMOMO indicam que a recente onda de calor provocou cerca de 10 mil mortes em excesso no continente, principalmente entre idosos e pessoas mais vulneráveis. Na Itália, porém, não há até o momento um número oficial de vítimas atribuído diretamente a esta nova onda de calor, embora o Ministério da Saúde acompanhe diariamente a evolução da situação nas principais cidades do país.

O fenômeno é agravado por outro elemento típico do verão mediterrâneo: uma nuvem de poeira do Saara atravessa a península. Durante o dia ela reduz ligeiramente a incidência direta do sol, mas à noite funciona como uma espécie de “tampa” sobre a atmosfera, impedindo que o calor acumulado durante o dia se dissipe. O resultado são as chamadas noites tropicais, quando a temperatura dificilmente cai abaixo dos 25°C, tornando o descanso muito mais difícil.

As altas temperaturas também aumentam o risco de incêndios florestais. Nos últimos dias, equipes de emergência precisaram atuar em diferentes regiões italianas, especialmente na Sardenha e no sul do país, onde a combinação de calor, vegetação seca e vento favorece a propagação rápida das chamas.

Para os brasileiros que estão de férias ou embarcam para a Itália nos próximos dias, vale adaptar um pouco o roteiro. As caminhadas pelas cidades históricas continuam sendo uma das melhores maneiras de conhecer o país, mas é recomendável concentrá-las nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde.

Entre o final da manhã e o meio da tarde, quando o calor atinge seu pico, uma boa alternativa é aproveitar museus, igrejas, cafés ou restaurantes climatizados — exatamente como fazem muitos italianos durante o verão.

Também é importante manter uma garrafa de água sempre por perto, usar roupas leves, chapéu e protetor solar, especialmente em destinos como Roma, Florença, Bolonha, Palermo ou Cagliari, onde a sensação térmica pode ser ainda mais elevada por causa do asfalto e das áreas urbanas.

O verão continua sendo uma das épocas mais bonitas para visitar a Itália. Mas, neste ano, viajar significa também conviver com um clima cada vez mais extremo, um fenômeno que especialistas associam à intensificação das mudanças climáticas e que vem transformando as ondas de calor em eventos cada vez mais longos, frequentes e intensos em todo o sul da Europa.
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